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Editorial

Realidade do trabalhador

30/04/2018 às 21:32 - Atualizado em 30/04/2018 às 22:58
Show carteira de trabalho

A realidade do mundo do trabalho está cada vez mais complicada para o trabalhador. Está em andamento um fenômeno mundial de precarização dos empregos. Isso ainda se deve, pelo menos em parte, aos efeitos da crise econômica que assustou muitos países nos últimos anos, inclusive o Brasil. Em dificuldades financeiras, as empresas pressionam governos por flexibilização, o que acaba resultando em mudanças que, se por um lado, favorecem a abertura de vagas, por outro, promovem a redução de salários e de garantias aos trabalhadores.

Os brasileiros sabem muito bem como essa lógica funciona, afinal, estamos em plena vigência de uma reforma trabalhista sobre a qual ainda não há consenso na Justiça do Trabalho e que promete muita controvérsia nos tribunais. Reforma de políticas e leis trabalhistas não foi uma invenção do Brasil. Nos últimos anos, mais de 130 países promoveram - ou pelo menos, tentaram - mudanças desse tipo. Não há estudos que atestem o fracasso ou o sucesso dessas mudanças, o fato é que a informalidade - o trabalho precário e sem nenhuma garantia para o trabalhador -  vem crescendo em todo o mundo, inclusive no Brasil.

Os jovens são os mais afetados. De acordo com pesquisa da Organização Internacional do Trabalho, mais de 60% dos trabalhadores em todo o mundo se encontram na informalidade. Entre os jovens, o índice chega a 77%. Para os governos com perfil capitalista, isso não chega a ser ruim, afinal, o trabalhador informal está produzindo riqueza, ajudando a movimentar a economia e, ao mesmo tempo, não gera despesas para o governo como  seguridade e outras garantias aos trabalhadores formais. É preciso analisar esse cenário com atenção. Trabalhadores formais também geram arrecadação para o governo, como o imposto sobre a renda. Um contingente exagerado de pessoas na informalidade não pode ser saudável para nenhuma nação.

De qualquer forma, neste 1º de maio, o trabalhador tem motivos para, pelo menos, ter esperança. As boas perspectivas em relação à economia permanecem. Especialistas do mercado financeiro projetam crescimento de 2,75% neste ano, e de 3% em 2019. Tudo indica que o cenário geral vai melhorar, com redução do desemprego, que hoje assola mais de 12 milhões de pessoas.