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Editorial

Recesso e renúncia de Cunha

07/07/2016 às 21:33
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Por que os poderes entram em recesso? Se há uma crise ética, política e econômica no País e se por conta dela ações drásticas para os trabalhadores assalariados estão sendo desencadeadas, Judiciário e Legislativo deveriam mudar de conduta e abrir mão de determinados direitos que podem ser considerados privilégios.

Em situações de dificuldades extremas o natural seria abrir mão dos recessos a fim de que questões de relevância pudessem ser tratadas logo. Entretanto, como se acompanha no Legislativo, a conduta não é alterada e indica que há no mínimo algo muito estranho nessa área.

O Congresso Nacional parece completamente divorciado da vida social. A maioria dos seus membros age como se ignorasse a profundidade do desgosto de uma fatia expressiva da sociedade com esse jeito de fazer política. Em meio as denúncias de participação direta de congressistas nos esquemas de corrupção o que se percebe é a chacota parlamentar, um festival de manobras de todos os níveis que ofende a opinião pública. Afinal, o alto custo do Congresso Nacional, bancado com o dinheiro dos trabalhadores brasileiros, é para esse tipo de atuação?

A renúncia do deputado Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados e o teor do discurso por ele feito são alguns dos elementos dessa postura nada republicana que mancha pesadamente o Congresso Nacional do Brasil. O presidente afastado da Câmara usou e abusou de expedientes ímprobos e do poder que detém sobre um grande grupo de parlamentares.

Se não houver muita atenção e acompanhamento de perto por parte da sociedade, o deputado Eduardo Cunha logo estará livre de qualquer ameaça de perda do mandato. Um acórdão acaba de ser feito nessa direção. E esse pacto envergonha aquela parcela de brasileiros que quer um Congresso Nacional mais limpo, transparente e dinâmico nas suas funções que parecem esquecidas sob o risco de transformar o Poder Legislativo numa feição de empresa de negócios obscuros.

O sentimento de que algo indesejável está se desenhando no Congresso Nacional, a partir do episódio Eduardo Cunha, foi manifestado largamente ontem após o discurso de renúncia do parlamentar. Que os congressistas guiados por outros valores possam impedir a vitória da vergonha, dos desonestos, dos tripudiadores e da impunidade.