Segunda-feira, 22 de Julho de 2019
Editorial

Reforma da Previdência e o jogo eleitoral


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16/06/2019 às 10:42

O componente político-eleitoral tende a contaminar as discussões sobre a reforma da Previdência. O efeito voto nesse tipo de matéria está sendo calculado e por ele passam estratégias que longe de considerar os impactos das medidas reformistas privilegiam o mapa eleitoral e os indícios que nele aparecem.

A motivação político-eleitoral costuma ser utilizada em eventos de impactos profundos e é vista como parte da cultura política. O que incomoda nessa cultura é o caráter do jogo que, faminto por gols de qualquer maneira, passa por cima, atropela e pode, de fato, levar à morte de muitos.

E no caso da reforma da Previdência, inúmeros motivos estão postos, tais como angustia, tristeza profunda, sofrimento prolongado, incapacidade de gerir a vida com o que terá direito de receber e as demandas básicas da pessoa da terceira idade.No Brasil, a maioria da população não tem condições de pagar um plano privado de aposentadoria como é desejo dos planejadores da atual reforma cujo compromisso maior é o de atender as regras do mercado.

Retirar o Estado de cena ou encolher ao máximo a participação dele tem sido uma batalha travada pelo neoliberalismo em diferentes regiões do mundo.

s resultados, inicialmente festejados por aqueles que veem o mercado como solução para todos os problemas, os anos seguintes nesses países, como é o caso da Argentina, demonstram o alto preço pago pelas populações e a precarização aprofundada.

No caso brasileiro, o processo de reformar a Previdência que se faz necessário, iniciou de forma atabalhoada e está sendo usado como peça do tabuleiro eleitoral. 

Há pré-candidatos à Presidência da República, como o governador de São Paulo, João Dória, interessado em ver o assunto liquidado agora para livrar-se do desgaste.

Nessa estratégia por mais espaço e visibilidade, o governador se apresenta como interlocutor de governadores das regiões Sul e Sudeste e tenta avançar sobre as outras regiões; governadores, prefeitos e parlamentares seguem caminho semelhante.

O debate sobre a reforma da Previdência passa a ser feito precariamente, tenta isolar os segmentos sociais e privilegia os processos eleitorais do ano que vem e de 2022; há nítido interesse em agradar as regras do mercado e ampliar restrições ao direito de aposentadoria e de benefício aos brasileiros, neste caso aos brasileiros mais carentes.


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