Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Editorial

Reitores sem autonomia


ufam_2E062564-3B4F-4B99-A2FC-6EDC5B306CCD.JPG
20/05/2019 às 08:02

Após ter parte dos recursos para gastos discricionários contingenciados pelo governo federal, os reitores de universidades públicas precisam lidar com outra decisão polêmica: a perda de autonomia para nomear e exonerar os membros de seu próprio staff. De acordo com o decreto 9.794, de 11 de maio, as nomeações e exonerações dos cargos de confiança precisarão do aval dos ministros da Educação e da Casa Civil a partir do dia 25 de julho. Além disso, vale ressaltar que, atualmente, os reitores são escolhidos mediante eleições em cada universidade, com participação direta da comunidade acadêmica, em lista tríplice que o ministro da educação não deu certeza de que respeitará. 

Está claro que o decreto é uma represália aos reitores após os protestos que tomaram as ruas no último dia 15 contra o contingenciamento de recursos das universidades, medida que causa controvérsia até entre os apoiadores mais fiéis do governo. Afinal, enfraquece o argumento de que os cortes na educação são motivados unicamente pela necessidade de conter despesas em face da queda na arrecadação. Seria possível poupar a educação e ampliar os cortes em outros setores? Claro que sim. Mas, equivocadamente, o setor acadêmico foi escolhido como terreno para uma guerra ideológica onde todos perdem.

A opção do governo de partir para a queda de braço em resposta aos atos do dia 15 pode ter um efeito contrário, inflamando ainda mais os ânimos de estudantes e professores, que podem promover mais “balbúrdia” nas ruas, arregimentando apoio em outros setores e desgastando ainda mais o governo.

E isso acontece no momento em que o País se vê diante de diversas questões extremamente sérias que demandam atenção especial. A economia, segundo todos os analistas de mercado, vai de mal a pior. O recuo do PIB no primeiro trimestre e os sinais de fraqueza registrados no início do segundo são suficientes para ligar o sinal amarelo. Um novo recuo no segundo trimestre jogaria o País novamente na temida recessão. Os dados disponíveis permitem concluir que, mesmo que a reforma da Previdência – principal aposta do governo para restabelecer a confiança do mercado – fosse aprovada ainda no primeiro semestre, o risco de um crescimento nulo em 2019 continuaria grande. É preciso, com máxima urgência, deixar de lado a agenda ideológica, que não gera empregos nem estimula a economia, e voltar a atenção para o que realmente importa.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.