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Editorial

Remédios e venenos

27/03/2017 às 20:56 - Atualizado em 27/03/2017 às 21:09
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O Brasil entrou no terceiro ano de recessão, mas já vendo uma luz no fim do túnel da crise econômica. Pelo menos é isso que a equipe do Ministério da Fazenda está alardeando aos quatro cantos. De qualquer maneira, contudo, temos ainda muitos órgãos e empresas fazendo ajustes brutais e que podem resultar em situações piores do que a enfrentada no presente momento, como é o caso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e do Tribunal Superior Eleitoral, órgãos públicos que anunciaram, ontem, medidas de combate a crise três anos após ela começar.

Responsável pela preparação da mais importante eleição desde a redemocratização nos anos 80  e que será feita em 2018, o Tribunal Superior Eleitoral decidiu, há duas semanas, editar uma resolução  que estabelece normas para criação e instalação de zonas eleitorais, com o objetivo de economizar R$ 13 milhões por ano com a extinção de 72 zonas eleitorais em 16 capitais do Brasil. Parece uma medida boa, em consonância com a lei de Responsabilidade Fiscal, mas esconde um problema ao generalizar a aplicação da mesma. Isso fica bem ilustrado quando vemos que em Manaus uma Zona Eleitoral será fechada e que a economia com isso será próxima daquilo que os antigos chamavam de ninharia. Nem vale a pena economizar também pouco e perturbar tanto a vida de tantos numa capital complexa como a nossa. Para reverter essa decisão, representantes do Tribunal Regional Eleitoral irão a Brasília conversar com o presidente do TSE, Gilmar Mendes, como vistas a modificar a decisão, que representa um remédio que de tão amargo pode acabar virando um veneno.

Ja nos Correios, há  estimativas mostrando a  necessidade de cortar entre 20 mil e 25 mil postos de trabalhos para assim alcançar o equilíbrio entre receitas e despesas. A medida vem no contexto de fracasso do plano de demissões voluntárias lançado no início do ano e que já gastou quase R$ 500 milhões em indenizações.

Neste sentido é importante que os dirigentes, tanto de TSE quanto dos Correios, avaliem centavo a centavo a conveniência dos cortes, posto que, se as previsões da Fazenda se concretizar, muito em breve tais medidas possam ter de ser desfeitas em função da retomada do crescimento econômico.