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Editorial

Resistências ao racismo

18/11/2017 às 19:37
Show racismo

Nesta segunda-feira, mobilizações  em centenas de cidades brasileiras chamarão atenção para os prejuízos e violência que a discriminação e racismo provocam. O Dia Nacional da Consciência Negra se faz a partir da reinvenção de Zumbi símbolo da resistência dos negros escravizados no Brasil.

Em processo permanente de adesão, o 20 de novembro ganha relevância como um momento que sintetiza as lutas diárias de negros e não negros que não se conformam com o racismo institucional. Na quase totalidade dos indicadores econômicos sociais atualmente publicados os negros aparecem em condições profundamente desfavoráveis e, nesse panorama, as mulheres negras estão em situação de desigualdade aguda. São as que recebem os salários mais baixos e a maioria entre os desempregados.

A conduta racista está presente nos diferentes ambientes. A diferença é que hoje ela pode ser denunciada e punida. Ainda assim, a construção permanente de consenso nos diversos grupos sociais atrasa o processo de enfrentamento  a esse tipo de pensamento e ajuda a mantê-lo vigoroso. O perfil político mais recorrente do Brasil atua como suporte da noção de que negros por serem negros são necessariamente inferiores aos brancos. É nela que um sistema se desenvolve e atua para gerar mais estigma e impedir oportunidades de acesso a maioria da população negra.

A consciência negra como expressão de movimento político-cultural é no Brasil um  importante instrumento de defesa e aprimoramento da democracia. A forma de distinção da população pela desigualdade e negação de acesso a melhores condições de vida aniquila cotidianamente o arcabouço democrático de qualquer nação. O Brasil está longe da ideia de um país que venceu as assimetrias e tornou real a democracia racial. Negros e indígenas que juntos formam a maior parcela da população brasileira são tratados como pessoas de segunda classe e têm  seus direitos ameaçados, fragmentados e até negados.

A luta traduzida na série de manifestações e de campanhas que estão sendo feitas por todo o mês de novembro chama atenção à subcondição de vida da maioria da população negra. É uma das formas de dizer não ao racismo, de  promover novos entendimentos e de resistir ao modelo de país que ainda se faz na escravização de pessoas não brancas.