Publicidade
Editorial

Respeito à natureza e às pessoas

04/08/2016 às 22:09 - Atualizado em 05/08/2016 às 00:35
Show khjkhjkhjk

A Amazônia precisa de energia proveniente de fontes limpas. Desde sempre a região vive um eterno apagão, com municípios sendo atendidos precariamente por usinas térmicas altamente poluidoras. É preciso encontrar uma solução para isso. Trata-se de um pré-requisito para o progresso.

Que a energia precisa chegar, não resta dúvida. Mas a que preço? Se é um fato que a região precisa de energia, outro fato é que não precisamos de uma hidrelétrica no rio Tapajós, no Pará. O Amazonas se beneficiaria diretamente do projeto, uma vez que o empreendimento seria integrado ao Linhão de Tucuruí, e aumentaria a disponibilidade energética no sistema.

Seria energia abundante, com potência de 8 mil megawatts, capacidade suficente para atender mais de 20 milhões de domicílios, o que colocaria a usina entre as maiores do País.

Mas o custo disso seria dos mais altos. A primeira vítima seria a própria Constituição Federal, que proíbe a remoção de povos indígenas. Está lá no artigo 231 da Carga Magna. Uma determinação clara que foi ignorada por vários anos, enquanto o projeto esteve em discussão, causando protestos de indígenas, ambientalistas e da sociedade em geral. Outras vítimas seriam os próprios índios.

A usina seria erguida na terra indígena Sawré Maybu, dos índios Mundurucu, localizada entre os municípios de Itaituba e Trairão. Eles teriam que ser realocados em outra área, pois a terra que ocupam desde antes da chegada de Cabral seria inundada para construção do reservatório da usina. E 729 quilômetros quadrados em uma das regiões mais sensíveis e preservadas de toda a Amazônia se perderiam para sempre.

Não é preciso ter qualquer diploma para saber que se seria um desastre ambiental de grandes proporções.

Felizmente, o bom senso prevaleceu e o processo de licenciamento - que apesar da Constituição, dos índios e do desastre ambiental  - encontrava-se em análise, foi finalmente arquivado pelo Ibama.

O desafio é buscar soluções inteligentes e justas. É perfeitamente possível promover o desenvolvimento respeitando a natureza e as populações tradicionais. Não se pode dizer que é limpa a energia gerada por um empreendimento que traga consigo danos tão grandes à natureza e às pessoas.