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Editorial

Respeito às pessoas e à natureza

19/08/2016 às 22:20
Show binda

 A batalha judicial envolvendo o poder público e a Defensoria Pública do Estado sobre as indenizações para as famílias que vivem às margens do igarapé do Bindá, no bairro da União, é resultado de um conjunto de posturas que se repetem no histórico da cidade e que, se nada for feito, vão continuar. Com o desenvolvimento da capital, famílias foram se acumulando nas margens dos igarapés, estimuladas pela indústria das invasões, que disponibiliza terrenos muito baratos e até de graça em áreas, geralmente, de proteção ambiental. O poder público não foi capaz de fazer cumprir a lei, impedindo que as áreas próximas aos cursos d’água fossem tomadas por invasores, que destruíram a vegetação e comprometeram a qualidade da água, tornando-a imprópria para qualquer finalidade, verdadeiros esgotos. Isso deveria ser uma vergonha para Manaus. 

Esse processo vem se desenvolvendo há décadas, até chegar à situação extrema que se observa hoje. Quando finalmente o governo percebeu que algo precisava ser feito, a escolha não foi pela recuperação dos igarapés, mas pela construção de moradias adequadas à população que já ocupava aquelas áreas. Morar na beira de cursos d’água passou a ter um atrativo. As famílias ficam na expectativa de que o local em que vivem seja contemplado pelo Prosamim, não pelo eventual aumento na qualidade da moradia, mas também pela indenização que esperam receber por ter que deixar as casas em que vivem há muitos anos.   

Mas a crise chegou com força. Os recursos ficaram escassos e o programa precisou ser readequado à nova realidade, frustrando a expectativa de indenização nas proporções observadas no passado. O programa, é claro, deve continuar, e as famílias devem receber toda a assistência necessária. No entanto, paralelamente a isso, é preciso tomar medidas fortes para frear o processo destrutivo que levou Manaus a esse cenário. É preciso combater as invasões que tanto dano causam ao meio ambiente e contribuem para o crescimento desordenado que Manaus experimenta há tantas  décadas. Programas para recuperação dos igarapés que ainda podem ser salvos precisam ser desenvolvidos e implementados com máxima urgência. E, principalmente, programas de educação ambiental precisam ser postos em prática para que, um dia, quem sabe, tenhamos uma geração que valorize o meio em que vive.