Publicidade
Editorial

Respeito na administração dos bens públicos

01/09/2017 às 21:25
Show amazonino e david

Dois indicadores demarcam os momentos de transição do Governo do Amazonas. Um, as promessas e compromissos feitos pelo governador que está deixando o cargo; outro, pelo governador eleito. Em ambas situações o que chama atenção é a maneira de lidar com orçamento e, em última instância, os recursos públicos. As duas condições de governantes não permitem exacerbações, ao contrário, pedem cuidado extremo na conduta administrativa e no trato do orçamento.

O que a população do Amazonas espera ver acontecer é o cumprimento da probidade administrativa, porque é responsabilidade constitucional de quem se submete a administrar os bens públicos pelo mandato outorgado por meio do voto, e porque o momento exige que não se faça negócios privados com a coisa pública.

O presidente da Assembleia Legislativa do Estado, David Almeida, colocado como governador em respeito as regras constitucionais sabia e sabe que sua condição, de governador, era temporária e que nesse caso deve conduzir seus atos por essa temporalidade evitando, ao máximo, comprometer as finanças do Estado. O que se assistiu nos últimos dias foi uma espécie de festival de promessas envolvendo categorias de servidores que legitimamente aguardam o cumprimento de direitos e adequações de salário, mas não há condições de que no quadro atual em que o Amazonas foi colocado fazer isso para que, meses depois, nem os salários mensais possam ser pagos dentro do calendário normal. O que ocorre no Rio de Janeiro é um exemplo e não é caso isolado.

Quanto ao governador eleito, a arrumação da casa – promessa de campanha vitoriosa – não pode significar abrir mão de procedimentos legais, legítimos e transparentes na tomada de decisão para organizar as tarefas mais imediatas. O Estado do Amazonas nãodeve ser considerado uma situação de emergência como instrumento de salvaguarda a contratação de serviços sem licitação. Isso, se ocorrer, representaria um passo grave no aprofundamento da desorganização geral da casa. A eleição feita visou corrigir uma situação e inaugurar uma fase de melhoria, de acerto das coisas e de assegurar ao Amazonas condições básicas para seguir em frente.

Que esse espírito não seja abandonado e uma nova desilusão contamine os moradores do Estado. A responsabilidade administrativa requer determinação, cuidado, sensibilidade erespeito no manejo dos bens públicos.