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Editorial

Resposta contra a corrupção

12/12/2018 às 07:24
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Não é novidade que a burocracia equivocada favorece a corrupção ao criar oportunidades para a atuação dos criminosos. Ontem, o procurador da República, Alexandre Jabur, destacou uma dessas situações: o fato de o governo do Amazonas não adotar critérios claros e transparentes para o pagamento de fornecedores. O resultado é que, para receber os valores a que têm direito, empresários ficam à mercê de corruptos entranhados no serviço público, que vendem “facilidades” movimentando um mercado nefasto de propinas. 

Para fechar essa porta à corrupção, não é preciso adotar complexos mecanismos de controle. A simples adoção de um cronograma de pagamentos, em ordem cronológica, e o estrito respeito à Lei de Licitações, bastariam para causar um impacto significativo no combate à corrupção. 

Tais medidas ainda podem ser tomadas pela atual gestão do Executivo Estadual que vivencia seus últimos dias. Seria um recado positivo para a sociedade amazonense, que em outubro, confirmou nas urnas seu desejo por mudança. Seria um aceno digno da estatura política do atual governador. Não é preciso esperar pelo desenrolar da ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF) para obrigar o Estado a ter critérios nos pagamentos. Hoje mesmo está prevista uma reunião de conciliação onde decisões simples, mas de fundamental importância, podem ser tomadas. 

Não se pode admitir a romaria frequente de fornecedores do Estado na porta do MPF para denunciar a cobrança de propinas para liberar pagamentos. Essas práticas precisam ficar para trás. A população já não aguenta e exige novos tempos na política e na gestão de recursos públicos. 

São falhas como essa apontada por Alexandre Jabur que permitiram a instalação na máquina pública do esquema criminoso desbaratado na operação Maus Caminhos. Sem transparência nos contratos e pagamentos, R$ 82,6 milhões foram desviados por meio de uma organização criminosa que atuava na área de saúde, exatamente uma da mais sensíveis, pois trabalha com a vida das pessoas. 

A adoção de medidas que impeçam que algo assim se repita no Estado deve ser uma das prioridades do novo governo que assumirá o Estado no dia 1º de janeiro.