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Editorial

Retirada de incentivos é tiro no pé

01/06/2018 às 22:53 - Atualizado em 01/06/2018 às 23:16
Show temer

Um dos defeitos mais marcantes do governo de Michel Temer torna-se, agora, a grande esperança das lideranças políticas e empresariais da Zona Franca de Manaus: a facilidade com que muda de opinião a respeito de qualquer assunto. Com o recente decreto presidencial que praticamente anulou os incentivos de IPI para o segmento de concentrados para bebidas no Amazonas, políticos e empresários esperam que o governo federal, mais uma vez, mude de ideia e revogue a medida.

A revogação do decreto é vista como a única opção para manter a viabilidade de um dos segmentos mais importante do modelo amazonense, onde está o principal produto de exportação do Estado e um importante gerador de arrecadação e de empregos. São mais de 12 mil trabalhadores atuando no segmento apenas em Manaus, sem falar da economia do município de Maués onde a cultura do guaraná, com safra totalmente adquirida por uma empresa do setor, garante o sustento de milhares de famílias.

O recuo iminente do governo é resultado da  dificuldade enorme que o governo federal tem para se comunicar. Sem saber de onde tirar os milhões que faltavam para completar a conta deixada pela greve dos caminhoneiros, Temer acatou a péssima sugestão de algum burocrata no mínimo mal intencionado e deu um tiro de morte nesse segmento industrial. As consequências não seriam apenas para a Zona Franca de Manaus, mas para todo o País. As empresas afetadas não estão no Amazonas por causa das belezas naturais, mas pela vantagem que o desconto de IPI representa. Com o incentivo reduzido de 20% para apenas 4%, não resta dúvida de que haveria uma fuga em massa de empresas. E elas não iriam para outras regiões brasileiras. Especialistas garantem: o destino seria algum outro país do Mercosul, provavelmente o Paraguai.

O tiro do governo está fadado a sair pela culatra, pois com a saída das empresas, em vez de ter arrecadação de R$ 740 milhões só com a redução da renúncia fiscal, arrecadaria zero, e ainda deixaria um passivo social e econômico para o Amazonas e para o País.

Temer parece já ter percebido isso e prometeu aos parlamentares amazonenses e ao governo do Estado uma saída rápida para o problema.

O ministro da fazenda Eduardo Guardia ficou encarregado de resolver a controvérsia. Infelizmente, a ZFM não sairá incólume. As empresas já estão acumulando prejuízos.