Segunda-feira, 01 de Março de 2021
Editorial

Retrocesso no mercado de trabalho


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12/02/2021 às 08:01

As sequelas da pandemia do novo coronavírus não vão se restringir às milhões de vidas perdidas, às consequências para a saúde dos recuperados, ao desemprego e demais efeitos negativos na economia. A crise sanitária mundial terá resultados ainda mais complexos e que precisarão ser compreendidos e enfrentados. Entre tais sequelas está a queda na participação das mulheres no mercado de trabalho. Na América Latina, esse fenômeno já é contundente. De acordo com dados da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), no ano passado, a participação das mulheres no mercado de trabalho caiu para 46% na região, seis pontos percentuais a menos que o índice registrado no anterior.

Diversos são os motivos que levam a essa retração, mas o principal é o aumento das demandas no lar em função da pandemia, o que tem levado muitas a deixarem seus empregos (quando não são demitidas nos cortes de pessoal) e abandonarem a busca por trabalho. Se esses números forem mantidos, a luta das mulheres por mais espaço no mercado terá retrocedido dez anos. O retrocesso não fica apenas na perda da autonomia financeira por parte das mulheres, mas também contribui para o empobrecimento da família e a própria redução do protagonismo feminino nos rumos da sociedade.

Os dados da Cepal são extremamente preocupantes. Aproximadamente 23 milhões de mulheres latino-americanas regrediram à faixa de pobreza no ano passado. É óbvio que os reflexos da pandemia na economia afetam a todos, mas têm sido ainda mais danosos às mulheres. Basta olhar os números do desemprego disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando a taxa de desocupação atingiu o nível recorde de 14,6% no terceiro trimestre de 2020, foi de 12,8% para os homens e de 16,8% para as mulheres.

A situação delicada precisa ser enfrentada por meio de políticas públicas bem estruturadas. Seria um enorme desafio para o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, se houver lucidez na pasta para tal, mas não se trata de uma incumbência governamental. O fortalecimento do papel das mulheres, não apenas no mercado de trabalho, mas nos demais aspectos da vida social, é um requisito para o desenvolvimento que o País precisa perseguir.


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