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Editorial

Revolta justificada

17/03/2016 às 19:19
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A revolta das pessoas que foram às ruas na noite de ontem para protestar contra o governo da presidente Dilma Rousseff não se deve apenas à nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - investigado por possível participação nos crimes revelados pela Operação Lava Jato - como ministro-chefe da Casa Civil. Trata-se de um acúmulo de problemas que se avoluma no País. Com o desemprego crescente, a economia estagnada e a inflação caminhando a passos largos, a perspectiva para o futuro próximo do País não é das melhores. E o governo, que deveria estar empenhando na solução desse quadro, concentra seus esforços em blindar Lula para evitar eventual ordem de prisão.

É a revolta - plenamente justificada - de quem sabe que o País precisa de ajuda, mas que vem sendo comandado por um governo paralisado, que mobiliza todos os métodos para permanecer no poder.

Enquanto Dilma e aliados se debatem, a economia vai de mal a pior, com efeitos dramáticos em Manaus, já que a Zona Franca - focada no abastecimento do mercado interno - é um dos centros industriais mais afetados. A produção recuou mais de 30% em janeiro, pressionando ainda mais as fábricas que enfrentam as restrições de um mercado cada vez mais retraído.

A tendência para os próximos meses é de piora no cenário nacional e local, com aumento da pressão sobre o governo. A renúncia, descartada por Dilma, seria o alento que destravaria o País. Mas, ao que tudo indica, o governo vai se segurar enquanto puder.

Nesse panorama, cabe à imprensa o papel de informar a população da melhor forma possível, com imparcialidade e comprometimento com a verdade e com a ordem pública. Neste período em que os ânimos estão à flor da pele, é preciso manter a tranquilidade e a clareza de pensamento para evitar julgamentos precipitados. Que todos os atos ilícitos sejam trazidos à luz e que os infratores, independentemente de quem sejam, tenham direito à defesa e ao devido processo legal. Mas as instituições devem ser preservadas e que tudo se dê dentro dos limites da legalidade. Que seja assegurado a todos - favoráveis e opositores ao governo - o direto de se manifestar de forma pacífica e responsável. Sem confrontos desnecessários e sem violência.

O cenário está posto e que prevaleça a Justiça.