Publicidade
Editorial

Rumo à renovação forçada

12/04/2017 às 21:45 - Atualizado em 12/04/2017 às 21:54
Show tribunal0333

Mesmo com toda a morosidade da Justiça brasileira, é muito provável que até o final do ano ou no início do próximo, sejam oferecidas as primeiras denúncias resultantes dos inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal na terça-feira. Considerando que toda a cúpula da política nacional está arrolada nos inquéritos, provavelmente, teremos eleições sem a presença de algumas figuras célebres, que estarão muito ocupadas cuidando da própria defesa. Os que se aventurarem nas urnas, terão que enfrentar o constrangimento de fazer campanha na condição de réu em processo da Lava Jato.

Será um cenário, no mínimo, inusitado, um dos efeitos da “lista de Fachin”, que autorizou investigação de ministros, deputados, senadores, prefeitos e ex-parlamentares. Uma das prováveis ausências será do prefeito de Manaus Artur Neto, que diante da investigação iminente, anunciou que deixará a política ao final do atual mandato de prefeito. Uma decisão, no mínimo,  conveniente diante do panorama que se avizinha.

Outros investigados devem seguir o mesmo caminho, abrindo espaço para novas lideranças políticas despontarem. Os inquéritos da Lava Jato também podem dificultar os planos de antigos “caciques” políticos do Amazonas, como é o caso dos ex-governadores Eduardo Braga e Omar Aziz, e da senadora Vanessa Grazziotin. Braga, que até pouco tempo era nome certo na disputa pelo governo em 2018, agora pode achar mais interessante concorrer à reeleição ao Senado. Outros líderes também devem estar revendo os planos.

Diante disso, as próximas eleições serão uma oportunidade para ampla renovação na representação política do País, especialmente do Amazonas, não pelo amadurecimento do eleitorado em termos de critérios na hora do voto, mas como resultado do enquadramento das velhas lideranças.

Antes mesmo do julgamento pelo Supremo, os políticos investigados terão que passar pelo julgamento das urnas, o que pode definir a sobrevivência política deles. Essa pode ser a consequência mais contundente da Lava Jato, a renovação forçada do panorama político, com enfraquecimento dos velhos caciques e surgimento de novas lideranças. Ou não. O desenlace está nas mãos dos eleitores.