Sexta-feira, 23 de Agosto de 2019
Editorial

Saúde e exclusão acentuada


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12/08/2019 às 08:39

Saúde como mercadoria ou saúde como direito. Qual é o caminho mais saudável? Eis as questões postas em evidências pelo médico Plinio José Cavalcante Monteiro, vice-coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Getulio Vargas (HUGV), da Universidade Federal do Amazonas. Entrevistado pela jornalista Suelen Gonçalves para a seção Entrevista da Semana, publicada na edição de domingo de A CRÍTICA, o médico e pesquisador aborda itens relevantes do tema saúde pública e os confronta com modelos privativistas.

O posicionamento do estudioso contribui, em momento profundamente delicado para o Brasil, ao apresentar leitura atualizada dos dilemas que envolvem o planejamento e a política de saúde no Brasil e os seus reflexos na vida dos cidadãos. O estudo comparativo feito pelo pesquisador entre o modelo brasileiro e o dos Estados Unidos é um espaço de reflexão a respeito da tomada de decisão, a repercussão na vida da população a partir do perfil de governos e, no geral, a visão mercadológica que está sendo apresentada como política de saúde, no caso brasileiro.

A saúde como mercadoria estabelece fronteiras nas quais poderão transitar e atravessar aquela parte da população detentora de recursos financeiros que possam pagar um entre tantos perfis de planos de saúde comercializados no mercado dessa área.  Compreender e desenvolver esforços de governança pela saúde como direito básico permanece necessário não apenas no Brasil e na América Latina, mas igualmente em países de outros continentes onde milhões de pessoas não têm acesso à atenção integral, por vezes, nem parcial à saúde.

A atual matriz do governo brasileiro é a de aprofundar a privatização de setores públicos. O da saúde que já convive com inúmeras ações terceirizadas é um deles. Se mantida essa matriz, os sem-acesso à atenção integral a saúde serão populações, em todas as faixas etárias, serão a maioria da população e, se os dramas de milhares de pessoas em busca de atendimento médico, cotidianamente relatados pela mídia, já se repetem, irão se tornar parte normal da realidade brasileira. O que revelam a pesquisa do médico Plinio Monteiro e as decisões governamentais para esse segmento são um futuro muito próximo de repetição de cenas que ocorrem na periferia econômica dos Estados Unidos, país ao qual o governo brasileiro se filiou como principal parceiro comercial.


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