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Editorial

Saúde pública, é preciso reagir

28/09/2017 às 22:01
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A crise no setor da saúde pública do Amazonas espalha desespero na maioria das áreas de atendimento. A situação de pacientes em fila de espera para transplante é uma das situações absurdas nessa área. É como se esses pacientes pudessem aguardar naturalmente e sem pressa, para um dia, se vida tiverem, realizar o procedimento. Outro aspecto é a suspensão do tratamento ambulatorial.

São pacientes abandonados a própria sorte numa e noutra ponta. Fazer o procedimento e o tratamento fora do domicílio, como ora é indicado, não apenas retrocede na política de saúde nesse segmento como amplia as dificuldades da maioria desses pacientes. Aqueles que possuem recursos financeiros seguramente mobilizam-se para assegurar o transplante em outra cidade brasileira e o acompanhamento ambulatorial. Mas, essa é condição de poucos, a maioria necessita, nessa batalha pela vida, da presença ativa do Estado e de ações contínuas e dinâmicas por parte do Governo Estadual.

A CRÍTICA tem revelado alguns aspectos do drama vivido por pacientes e familiares em lista para o transplante ou na busca de fazer o tratamento ambulatorial. A falta de recursos financeiros é apresentada como justificativa para a suspensão do serviço médico e a incerteza segue como regra.

O problema não se encerra na questão dos que aguardam pelo transplante e dos transplantados que precisam ser ambulatorialmente acompanhados. A paralisação dos cirurgiões vasculares dos hospitais públicos do Amazonas arrasta outros pacientes a agonia semelhante.

A situação na saúde expõe um nível de elevado descontrole por parte do governo na condução da política para esse setor. E traz à tona o modelo de cooperativas que está sendo ampliado como mecanismo de gestão administrativa. É fundamental que as organizações sociais, as entidades governamentais e de representação dos trabalhadores da saúde pública discutam a função das cooperativas e que os resultados desse tipo de administração sejam apresentados à sociedade. Qual é o volume de verba investida no cooperativismo na área da saúde? Que resultado foi obtido? Quem se beneficia com essa modelagem? Como são feitos os contratos entre o Estado e a organização cooperativa? Há nesse arranjo uma série de perguntas não respondidas à população e principalmente aos usuários do Sistema Único de Saúde. Nem as autoridades nem os representantes das cooperativas respondem enquanto pacientes estão em sofrimento.