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Editorial

Segurança em primeiro lugar

03/12/2016 às 18:56
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A navegação aérea na Amazônia é segura. Talvez até mais segura que em outras regiões do País, uma vez que o tráfego por aqui não é tão intenso e contamos com o acompanhamento competente de instituições sérias. De fato, o número de acidentes e incidentes graves envolvendo aeronaves no Amazônia ao longo de 2016 está dentro da média histórica da região, 15 ocorrências e sem nenhuma vítima fatal. Diante da comoção mundial pelo acidente que vitimou 71 pessoas na semana passada na Colômbia, incluindo todo o time do Chapecoense e vários jornalistas, é comum que se propague um certo receio de voar.

Desnecessário mencionar que, estatisticamente, mesmo considerando números proporcionais, a quantidade de acidentes aéreos está na ordem de um para alguns milhões de decolagens. Os aviões em si são equipados e monitorados com as tecnologias mais modernas que existem. Mesmo assim, as falhas são sempre possíveis. Porém, a maioria delas ocorre por motivos relacionados à operação humana. No caso específico do acidente da empresa Lamia na Colômbia, parece ter sido este o caso. Por motivos ainda desconhecidos, a aeronave voava sem reserva de combustível suficiente para lidar com eventuais contratempos. E tudo indica que o piloto, que também era um dos sócios da empresa, tinha consciência disso. As gravações do diálogo com a torre de controle dão a entender que ele tentou disfarçar a irregularidade, deixando de informar de imediato a gravidade da situação, talvez para  fugir das pesadas sanções que recairiam sobre ele e a empresa. Ainda não se sabe com clareza o que aconteceu exatamente, mas se as suspeitas forem confirmadas, teremos a confirmação de um crime terrível: o homicídio de 71 pessoas.

Já se começa a falar de possíveis mudanças na legislação para prevenir práticas que possam causar acidentes. Mas é importante ressaltar que as leis em vigor já são bastante rigorosas. O que falta é serem cumpridas. A lei fixa a quantidade de combustível que uma aeronave deve ter antes de levantar voo e em que condições os reabastecimentos devem ser feitos. Certamente, a situação de combustível do voo da Lamia não era informação exclusiva do piloto. Outras autoridades, em algum momento, tiveram ciência da desconformidade com a legislação. Mesmo assim, o avião decolou. Seria preciso criar leis para fazer cumprir as leis já existentes? Seria como ter uma agenda para lembrar de olhar a agenda.  Algo vai mal em algumas práticas comerciais. Algo que tem a ver com a consciência dos empresários e gestores. Em nenhuma hipótese, a  busca pelo lucro pode ser mais importante que a segurança das pessoas.