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Editorial

Segurança nos micro-ônibus

30/07/2016 às 16:59
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A CRÍTICA tem mostrado nas últimas três edições de domingo o sufoco e a sensação de insegurança vivida por passageiros e profissionais do sistema de transporte coletivo de Manaus em face da ousadia de assaltantes, que hoje  não se incomodam em agir em plena luz do dia ou sequestrar um ônibus cheio de pessoas.

Foram relatos dramáticos de pessoas que estão voltando para casa, indo para o trabalho, para a escola e repentinamente se veem no meio de uma situação de violência extrema num local, num meio, em que no dia seguinte estarão de novo. É um trauma, resumiu bem uma das vítimas ouvidas pela reportagem. “Você é assaltado e no dia seguinte tem de pegar o mesmo ônibus, passar pelas mesmas ruas, ver as mesmas pessoas, vítimas também, o mesmo motorista, o mesmo cobrador. É um filme que parece vai se repetir continuamente”, diz a vítima, passageira da agonia. “Fui assaltada no dia do meu aniversário. Estava sozinha, o cobrador tinha faltado. O ladrão entrou na parada de ônibus da Beneficente Portuguesa, na avenida Getúlio Vargas. Quando passou do Amazonas Shopping ele anunciou o assalto, botou a arma na minha cabeça, assaltou o passageiro e fugiu. Quando ele passava pela frente do meu ônibus, a sacola com dinheiro caiu e os passageiros gritavam para eu passar com o ônibus por cima dele, mas eu não tive coragem. Nesse dia eu parei, não consegui mais dirigir, fiquei em estado de choque”, relata outra vítima, motorista de um micro-ônibus do sistema executivo.

Neste sistema, por sinal, as cooperativas estão constratando empresas para garantir um mínimo de segurança dentro dos veículos, uma vigilância que por um lado é benefica, mas que pode trazer atropelos se não for feita de maneira correta, como ocorreu com um cidadão que foi confundido e submetido a constrangimentos ilegais.

 Há de se ter também cuidado para que a violência não se torne a faca de dois gumes que vimos na última semana, quando dois assaltantes foram baleados, um deles morto, a queima roupa por um dos passageiros, cuja habilidade com a arma foi cirúrgica, mas que despertou a pergunta: será que outros são tão bons assim no gatilho? Será que outros não poderiam iniciar um banho de sangue dentro do ônibus?

  São essas questões que a sociedade civil e as autoridades precisam responder.