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Editorial

Segurança pública e linchamentos

12/07/2018 às 21:11
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Em sete meses, o Amazonas registrou este ano sete casos de linchamentos dos quais seis em Manaus. O apoio a esse tipo de conduta circula entre conversas de grupos virtuais, nas ruas, nos ambientes de trabalho e nas conversas com motoristas de táxi. Há um tipo de consenso entre diferentes segmentos da sociedade quanto à validade desse tipo de atitude criminosa para fazer justiça e a necessidade de realizá-lo diante da lentidão das respostas do Estado para coibir a violência e punir responsáveis pelos atos.

Alcançar esse estágio de relação social representa reconhecer a falência dos mecanismos do Estado de Direito e a urgência na mobilização da sociedade para debater o assunto e discutir ações legais de enfrentamento. O que se constata é a falta de interesse dos representantes dos poderes instituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário) diante do drama que o Amazonas vive, o foco são os acordos em torno de apoio eleitoral na campanha deste ano e, nele, parlamentares, líderes de partidos políticos, religiosos, gestores públicos e assessores do alto escalão trabalham diretamente para os seus interesses mais particulares, obter o voto e mandatos.
O quadro grave está sendo ignorado na tomada de decisão por parte daqueles que têm a responsabilidade de administrar e zelar pelas coisas públicas e o bem estar das pessoas que vivem no Amazonas. A segurança pública, o avanço qualificado dos meios de controle sobre as pessoas que atuam à margem da lei, a fiscalização, a averiguação e o cumprimento das punições determinadas pela Justiça legal são questões tratadas sem o devido valor que merecem receber diante da crítica situação que o Estado vive.

Instituições de ensino e pesquisa, líderes de setores produtivos, de organizações religiosas e de serviços também são chamados a agir, a entrar em cena para discutir e propor iniciativas que retirem as cidades amazonenses da barbárie a que vem sendo submetidas. O apoio à percepção de que o linchamento é a resposta mais eficaz e mais rápida para resolver os atos criminosos e oferecer sensação de segurança é resultado de um longo processo da omissão dos governos somada a políticas ineficientes de segurança pública, marcadas por comportamentos corruptos. O retrocesso nessa área ganhou reforço.