Terça-feira, 25 de Junho de 2019
Editorial

Sem água potável no interior


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13/06/2019 às 07:34

A questão do saneamento é um dos problemas mais sérios do Amazonas, tanto no interior quanto na capital. Manaus é a 5ª entre as maiores cidades brasileiras com piores indicadores de saneamento básico do País, segundo dados do Instituto Trata Brasil. Nos municípios a situação é bem mais grave.  Se coleta e tratamento de esgoto é algo raro em Manaus, no interior, é praticamente inexistente. Quando o assunto é acesso a água potável, o cenário não é muito diferente.

 A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) atesta que, no interior, não se bebe água em condições razoáveis para consumo humano. O problema, é claro, não é falta de água. Chega a ser um contrassenso que a população que vive no coração da maior bacia hidrográfica do mundo não disponha de água potável. O que falta são sistemas de captação e tratamento. Muitos municípios até captam água, mas são pouquíssimos os que contam com tratamento adequado para atender a população.  

Ontem, um passo importante foi dado para mudar esse panorama. A Companhia de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Ciama) disponibilizou apoio técnico para elaboração de projetos de infraestrutura visando a instalação de sistemas de captação e tratamento. A ausência de tais projetos é um dos principais entraves para a obtenção de financiamento. Há recursos federais que podem ser acessados para esta finalidade, mas que estavam travados por razões puramente burocráticas. Com apoio da Ciama, pelo menos dez municípios já estão aptos a pleitear essas verbas e, futuramente, oferecer água de qualidade à população.

No entanto, não basta destravar as verbas, é preciso que as prefeituras apliquem os recursos de forma tecnicamente correta para evitar problemas com os órgãos de controle como o Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em 2017, fiscalizações da Corte de Contas verificou que vários municípios abandonaram obras de saneamento público financiadas com recursos federais. Em outras 17 cidades, onde as obras foram levadas a cabo, os sistemas públicos de abastecimentos de água apresentaram uma série de problemas, da captação à distribuição, que comprometiam a saúde das pessoas. A responsabilidade que deve ser inerente à administração pública, precisa ser redobrada quando o que está em jogo é a saúde da população.


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