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Editorial

Sem aventuras

17/11/2016 às 22:17
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O País vive dias conturbados e de grande ebulição com manifestantes de todas as matizes do espectro ideológico ganhando as ruas ao lado de oportunistas, agitadores e ignorantes de ocasião, como foi o caso daquela senhora que invadiu o plenário da Câmara dos Deputados pra pedir intervenção militar, e confundiu a bandeira do Japão com um suposto símbolo do comunismo dominante naquele parlamento. Sandice maior não poderia haver, mas esses tolos estão cada dia mais ousados e um freio no ímpeto dele é mais do que necessário para garantir nossa jovem democracia.

É certo que entre os que estão nas ruas há grupos bem intencionados e que fazem de seu grito um sinal de alerta. No geral, contudo, o que se vê são reivindicações corporativas que em nada ou pouco têm a ver com o verdadeiro interesse público . No melhor dos mundos, as autoridades de plantão deveriam chamar a Nação e o povo para o diálogo, mas  isso não tem sido feito.

O resultado deste rugir das ruas é mais e mais intolerância e neste particular o despreparo das polícias tem sido exemplar em todo o País, mostrando que passou da hora de discutirmos a desmilitarização das polícias e a transformação delas em polícia judiciária; uma polícia mais inteligente e menos violenta. Relembre-se que o Anuário Brasileiro da Violência apontou que a policia brasileira é a que mais mata em todo o mundo e, não por acaso,  e também a que mais morre. E neste cenário, portanto, que se torna imperativo reagir com dureza a invasão promovida por policiais e bombeiros a um parlamento estadual. O mesmo grupo que fez isso no Rio enviou representantes à invasão do plenário da Câmara em Brasília. Eles precisam ter uma resposta dura pela ousadia de agredir a casa do povo.

Do mesmo modo demanda uma resposta dura à ação de sindicatos de trabalhadores que, por modos diversos,  agem pensando em seus próprios interesses e esquecem que a vida em sociedade atribui responsabilidades coletivas a cada um. Neste sentido observem-se dois exemplos: o primeiro é a greve de auditores fiscais, uma das categorias mais bem remuneradas do País.  Como é possível vir lutar por aumentos de salários enquanto 12% da população está desempregada e a crise  econômica agoniza-se a cada dia? Cheira a irresponsabilidade social parar um polo como o da Zona Franca que tem capacidade de colocar 4 milhões de pessoas na lona. Um acinte de servidores engravatados!

Não menos cruel foi o movimento de trabalhadores rodoviários, que ontem paralisaram a cidade. Sob o argumento de falta de segurança, que é real, mas não exclusivo deste grupo de trabalhadores, fecham um terminal, param o trânsito,  atrapalham a vida das pessoas, tiram o pão de cada dia da boca de outros trabalhadores, expõem pacientes a risco. Tudo isso com um argumento real, mas que, na verdade, é uma cortina de fumaça pra forçar um reajuste tarifário e um consequente aumento de salários. Tudo isso, se não tiver respostas à altura das autoridades, não vai acabar bem.