Publicidade
Editorial

Sem educação, restou-lhes a prisão

09/07/2016 às 16:27
Show estud

A educação brasileira é uma janela para o futuro da Nação quando bem executada por seus principais atores, professores e alunos. É da sinergia entre eles que os bons resultados podem ser extraídos mesmo que a terra não seja tão fértil ou seja de difícil arado.

A CRÍTICA mostra hoje duas boas histórias nesse setor e uma, que pela falta de educação, de fracasso generalizado que culmina não com a liberdade trazida aos que se educam, mas com a prisão dos que trocam o banco escolar pelas grades das cadeias.

A primeira boa história mostra a vida de 15  amazonenses que estão, neste momento, ingressando nos cursos de verão das universidades americanas de Yale, Brown, Wisconsin, Duke e California College of Arts, algumas das mais importantes e prestiadas nos meios acadêmicos mundiais. Dentre eles está Samuel Natal Rodrigues, ex-aluno da Escola Estadual Waldocke Fricke de Lyra, que aos 16 anos se destacou por ter ganhado um bolsa de 80% na Universidade de Yale,  na cidade de New Haven, estado Connecticut. Yale é considerada uma das melhores do mundo e alguns dos vencedores do prêmio Nobel nela ministram cursos. 

Egresso de escola pública, Samuel garante que teve a oportunidade de melhorar o currículo enquanto estudante da instituição, o que mostra a capacidade de mestres e alunos empenhados em melhorar suas vidas.

A segunda boa história diz respeito a inventividade e criatividade de uma professora de Matemática que radicalizou no ensino, tirou os meninos e meninas das salas de aulas, transferiu o conteúdo teórico para questões práticas e desde 2011 realiza nas escolas públicas em que trabalho a feira Jogos Matemáticos, nos quais alunos mostram como assuntos áridos, como metrologia, podem também ser divertidos.

Essas experiências pedagógicas mostram a capacidade destes atores para alcançar o sucesso, mesmo com as limitações das nossas escolas públicas.

Na outra ponta, A CRÍTICA traz um perfil da população carcerária da cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa.   De acordo com o levantamento da Defensoria Pública do Estado, 51% dos presos têm entre 18 e 25 anos, são jovens portanto. Grande parte não tem sequer o ensino fundamental completo (43,7%). Somente 15,2% têm ensino médio completo. Traduzindo: sem educação, restou-lhes a prisão.