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Editorial

Sem limitações

21/09/2016 às 22:16
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Só quem precisa conviver todos os dias com a própria deficiência física ou tem na família alguém que enfrenta essas limitações conhece de verdade o sacrifício que é viver em uma cidade que não foi pensada para eles. É bem verdade que mesmo quem não tem limitações de locomoção encontra dificuldades para transitar por Manaus. Basta lembrar a ausência crônica de calçadas adequadas e de acessibilidade até em prédios públicos. Mesmo assim, os PCDs têm o que comemorar no Dia da Pessoa com Deficiência, comemorado ontem. Na verdade, cada dia para as PCDs e seus familiares é uma vitória que deve ser celebrada.

Um exemplo disso foi a realização, ontem, da primeira edição dos Jogos Adaptados do Projeto Atividades Motoras, organizados pela  Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped). O evento, que contou com a participação de várias entidades que apoiam a causa em Manaus, é uma demonstração que as limitações físicas e motoras não são empecilho para o pleno desempenho de atividades esportivas. Também não deveriam ser para o exercício de atividade profissionais. Lamentavelmente, não é o que se observa na maioria das empresas. Raras são as que cumprem a cota de deficientes no quadro de funcionários.

Muitas vitórias ainda precisam ser conquistadas. A luta por uma cidade acessível para todos e por menos preconceito no mercado de trabalho é constante, e depende tanto de planejamento urbano quanto de vontade política. No que depender das promessas tão abundantes de em tempos de campanha eleitoral, tudo será resolvido nos próximos anos, independentemente de quem vencer a disputa pela Prefeitura de Manaus.

Também há uma cultura pouco solidária por parte de muitas pessoas que insistem em viver olhando apenas para o próprio umbigo. “Se não é problema para mim, então não é problema”. Esse é a frase que orienta o comportamento de muitos, infelizmente. Esse é um problema mais difícil de resolver, pois depende de educação, algo que não se aprende de uma hora para outra e tem mais a ver com valores repassados pela família e pela escola. Quem sabe um dia.

Enquanto esse dia não chega, vale a pena cobrar das autoridades, e também dos amigos, vizinhos e colegas, mais atenção por aqueles que, assim como qualquer cidadão merecem respeito e dignidade.