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Editorial

Sem luz no fim do túnel

17/06/2018 às 19:58 - Atualizado em 17/06/2018 às 19:59
Show refrigerante

Há quase vinte dias, os parlamentares da bancada amazonense ainda se debatem em torno do decreto do presidente Michel Temer que reduziu de 20% para 4% os incentivos fiscais do polo de  concentrados da Zona Franca, medida que pode significar o fim desse segmento em Manaus caso não seja revertida. A busca por apoio contra o decreto tem revelado um problema sério: a falta de simpatia nas demais bancadas pelo Polo Industrial de Manaus. A  maioria dos Estados não vê com bons olhos a deferência ao Amazonas, ainda que protegida pela Constituição.

É possível derrubar a medida de Temer por meio de um decreto legislativo, mas isso esbarra na falta de articulação da bancada do Amazonas com seus pares dos demais Estados do  Norte e do Nordeste, que em tese, seriam nossos primeiros aliados por causa dos problemas comuns dessas regiões. Falta união, articulação e um relacionamento razoável com os parlamentares desses Estados.

O mais estranho é a falta de apoio mesmo entre os parlamentares dos Estados que estão na área de influência da Suframa, ou seja, todos os da Amazônia Ocidental. Eles também serão afetados pelo enfraquecimento da Zona Franca. Ocorre que esses, há muito tempo, se ressentem da falta de atuação da autarquia por meio de projetos de desenvolvimento em seus territórios. Isso porque, com recursos contingenciados pelo governo federal, a Suframa não tem dinheiro para tocar projetos de interiorização do desenvolvimento. As últimas ações desse tipo nos Estados ocorreram nas gestões dos superintendentes Ozias  Monteiro e Flávia Grosso, ainda na década passada.

É preciso que a bancada do Amazonas mostre aos parlamentares da Amazônia Ocidental  que a Zona Franca não pode ser uma bandeira apenas de Manaus, visto que pode beneficiar toda a região, e que se isso não ocorre hoje, não é por falta de interesse da autarquia, mas pelas limitações impostas pelo governo federal, uma postura que precisa ser combatida por todos.

Com uma pressão em conjunto por parte de uma frente parlamentar do Norte e Nordeste, haveria maior chance de sucesso contra o decreto presidencial, uma vez que, já sabemos, o governo de Temer é muito sensível a pressões.  Infelizmente, ao que tudo indica, esse nível de articulação não vai acontecer já que nem a própria bancada do Estado consegue atuar de forma unida. O que se vê hoje são ações isoladas com pouco potencial prático. Pior para o setor de concentrados e para a Zona Franca como um todo.