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Editorial

Sem opções

31/03/2016 às 23:03
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Chama a atenção a perplexidade do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), ao falar das alternativas disponíveis para comandar o País. “Meu Deus do céu, essa é a nossa alternativa de poder!”, disse o ministro referindo-se a caciques do PMDB que comemoravam o rompimento com o governo. A mesma exclamação tem martelado nas cabeças de muitos brasileiros - aqueles que não se colocam de forma apaixonada em nenhum dos lados que parecem ter polarizado o País. Que opção o Brasil  tem se, de um lado, a presidente e seus aliados estão a cada dia mais afundados em denúncias de corrupção; de outro, os que lutam pelo impeachment acumulam mais denúncias de crimes do que a presidente? O impeachment de Dilma está sendo avaliado por uma comissão que tem Paulo Maluf como integrante - um deputado que seria preso em qualquer país assim que deixasse o Brasil.  

O lamento do ministro foi a constatação de que a eventual troca de governo não significará o fim da corrupção, pois as pessoas que tomarão as rédeas do País não são conhecidas pelo respeito à ética e moralidade na gestão pública. 

A linha sucessória no caso de impeachment não é das mais animadoras. Mesmo que sobreviva ao processo, Dilma ainda terá que enfrentar o processo de cassação que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se for condenada, não cairá sozinha, levará o vice-presidente Michel Temer junto. Nesse caso, a República ficará nas mãos do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que fez fama como implacável articulador, capaz de tudo para perpetuar-se no poder, com envolvimento nos crimes revelados pela operação Lava Jato e que luta para não perder o mandato antes de Dilma por conta do processo que corre no Conselho de Ètica da Casa. Esta pessoa pode se tornar o presidente da República. 

O lamento do ministro vem acompanhado de uma reflexão: como chegamos a esse ponto? É possível virar o jogo? Construir um país em que a corrupção não seja regra? Onde as pessoas não se agridam nas ruas por causa de suas paixões políticas? O que está ocorrendo hoje no País deve ser determinante para o futuro, para as próximas gerações de políticos e de brasileiros. Esperamos que seja um ponto de virada, de mudança para melhor, rumo a um País mais decente.