Quinta-feira, 19 de Setembro de 2019
Editorial

Ser ou não ser patriota


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06/09/2019 às 07:54

Na Semana da Pátria, quando se comemora a emancipação do Brasil - que deixou de ser colônia de Portugal em 7 de setembro de 1822 - costuma acentuar-se nos brasileiros um certo espírito patriótico. As pessoas procuram em si o orgulho de ser brasileiro.  Seguindo a lógica da etimologia, ao longo do tempo, o termo patriotismo tem se revestido de diversos significados, deixando implícitas determinadas atitudes. Antes da Independência, por exemplo, ser patriótico era lutar contra o domínio português; durante as guerras mundiais, significava apoiar as campanhas  dos Aliados, países com os quais o Brasil se alinhava. A partir dos anos 60, uma parte da população brasileira acreditava que o combate à “ameaça  comunista” estava associado ao patriotismo, ideia alimentada ao longo dos anos de ditadura. Essa mesma noção foi ressuscitada recentemente e tem até certa força, apesar do anacronismo que assume nos dias de hoje.

De forma bem rasa, patriotismo pode ser definido como o sentimento de amor à Pátria, o que inclui seus símbolos, sua cultura, sua história, suas riquezas naturais, enfim, tudo que faz o Brasil ser Brasil. Mas esse sentimento só se torna patriótico quando se faz algo de bom para a Nação. Nesse ponto, ser patriota tem um sentido bem mais amplo que vestir verde e amarelo, assistir desfiles típicos da Semana da Pátria ou mesmo saber cantar corretamente o Hino Nacional - embora essas possam ser legítimas manifestações patrióticas.

Ser patriota é agir positivamente para o bem do País. Não tem nada a ver com alinhamento político ou preferências partidárias. Quem defende a soberania da Amazônia pode ser tão patriota quanto aqueles que criticam a demora do governo em tomar providências concretas para conter as queimadas. A visão política pessoal de cada um não torna ninguém mais ou menos patriota. O que faz realmente a diferença é o tratamento que damos ao nosso pedacinho de Brasil. Quem diz que ama o País e rouba energia ou água por meio de ligações clandestinas, ou omite faturamento para pagar menos imposto, ou toma parte em qualquer um dos pequenos atos de corrupção que proliferam em todos os lugares precisa rever esse sentimento que diz sentir. Amar o Brasil começa com cuidar do seu lixo, da sua rua, é se esforçar todos os dias para contribuir na construção de um país melhor.        


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