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Editorial

Seriedade no esporte

06/04/2017 às 22:22 - Atualizado em 06/04/2017 às 22:25
Show natacao

O Brasil tem todas as condições para ser uma potência do esporte, em diversas modalidades, e não apenas no futebol, desde que algumas mudanças estruturais sejam feitas. Uma delas é a modernização da gestão em cada esporte, com o fortalecimento das entidades representativas e dinamização das atividades.

O modelo de gestão vigente nas entidades esportivas se parece muito com o padrão adotado por muito sindicatos, onde dirigentes se eternizam no comando, tornando-se praticamente “donos” das instituições, sem fiscalização adequada sobre seus atos, o que favorece todo tipo de irregularidades. Na Confederação Nacional de Desportos  Aquáticos (CBDA), por exemplo, o presidente Coaracy Nunes está no cargo há 21 anos, desde 1996. O cartola foi preso na manhã de ontem pela Polícia Federal sob acusação de ter desviado milhões em verbas federais. Outros dois dirigentes também foram presos e o secretário geral de natação está foragido, dando sinais de que se trata de uma quadrilha há muito tempo instalada na entidade que representa um dos esportes de maior destaque do País em competições internacionais, a natação.

O caso da CBDA lembra o que ocorreu há poucos anos na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), quando o ex-presidente José Marin e mais seis dirigentes foram presos na Suíça, a pedido da polícia norte-americana, por corrupção e vários outros crimes. Marin está em prisão domiciliar nos Estados Unidos desde novembro do ano passado. Antes dele, a CBF foi comandada por Ricardo Teixeira por mais de duas décadas. Algo precisa ser revisto nessa dinâmica.

Além da corrupção nas entidades, também falta entendimento entre o poder público e o setor privado no que diz respeito aos papéis de cada um no fomento ao esporte. De alguma forma, os talentos precisam ser identificados e incentivados desde muito cedo para o pleno aproveitamento do potencial dos jovens. Caberia ao governo federal a criação de um programa nacional para identificação e incentivo a novos talentos com apoio da iniciativa privada. Mas para isso, o Ministério do Esporte precisa ser comandado por alguém comprometido com a área, não por alguém investigado por corrupção, alçado ao cargo apenas por ser filho de um político que também responde pelo mesmo crime.