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Editorial

Servidores públicos, apertos e desigualdades

19/01/2017 às 21:25
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A série de protestos promovida por diferentes categorias de servidores públicos não é fato novo. Trata-se de procedimento comum nas relações empregado/empregador e quando é constatado o nível das perdas ou congelamento salariais.  Policiais civis, peritos, escrivães, investigadores, profissionais da área de enfermagem são alguns dos milhares de trabalhadores públicos que reivindicam a atenção do poder para a condição de vida que têm.

O estouro da crise no sistema prisional e da segurança pública aumentou em larga escala a demanda pelos serviços desses profissionais. Escancarou a importância deles para assegurar padrão de normalidade nos serviços que realizam. Ao mesmo tempo gerou a oportunidade para que apresentem os problemas que enfrentam e há anos se arrastam. Os protestos, as paralisações relâmpago, longas fazem parte da tentativa de criar canais de diálogo e compromissos dos gestores públicos  que sejam respeitados.

A mesma crise que justifica o não atendimento das reivindicações desses servidores é ignorada para reajustar salários e garantir adicionais robustos a outras categorias, como ora ocorre no Poder Legislativo. O tratamento diferenciado nesse caso funciona como provocação e desrespeito. Servidores de determinados poderes estão além dos apertos, não faltam recursos financeiros para manter os níveis salariais mais atualizados e os benefícios a que têm direito reajustados, pagos sem atrasos. É essa dicotomia abusiva que na administração pública que estimula as reações de muitas categorias de funcionários públicos por vezes classificados de  insensíveis e irresponsáveis.

A forma de repartir o bolo mantém como regra a desigualdade  e privilégios de uns poucos. Enquanto o modelo de lidar com esse tema for esse os protestos irão prosseguir e, no saldo, a população que necessita desses profissionais no dia a dia será a maior prejudicada. Se existe dificuldade econômico-financeira que impõe arrocho e cortes porque  esses são seletivos? A Câmara dos Deputados contemplou mais de 6 mil servidores concursados, não concursados, aposentados e pensionistas com adicional que soma, no total, mais de R$ 42 milhões. E não foi a única instância do Poder Legislativo a fazer isso. Nesse caso, o efeito cascata segue o ritmo. Enquanto outras categorias que não possuem os benefícios garantidos a esses servidores aguardam sem data determinada uma posição de reposição e reajuste salarial.