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Editorial

Sexo dos anjos

12/02/2018 às 19:02 - Atualizado em 12/02/2018 às 19:57
Show suframa

O Estado brasileiro costuma ser visto como excessivamente grande e pessimamente gerido tanto por seus homens públicos quanto pelos tecnocratas de plantão. No mundo real, onde as pessoas e empresas existem, há sempre uma impressão de que o Estado está na contramão do interesse coletivo, quase sempre defendendo interesses de corporações que pouco ou quase nada agregam na vida de quem está no mundo real.

Pois nessa atual temporada estamos nós, do Amazonas,  diante de um destes momentos em que o debate na esfera pública está completamente desconectado das necessidades dos que habitam o mundo real.

O caso está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), onde um projeto de lei muda o nome da Superintendência da Zona Franca de Manaus para Superintendência das Zonas Francas da Amazônia. Autor do projeto, o senador Randolphe Rodrigues (PSOL/AP) alega que a Suframa há muito não cuida apenas do Polo Industrial de Manaus, mas de várias outras áreas incentivadas na região. Ele considera que a mudança de nome vai fortalecer a autarquia porque mobilizará forças políticas de todos os Estados da Amazônia onde existam áreas incentivadas. Ponto.

Em Manaus, os representantes da autarquia são contra a mudança, pois consideram que há grandes diferenças entre o modelo existente na capital amazonense e as áreas incentivadas, como a existente em Macapá (AP) e Tabatinga (AM). Consideram que o conceito de Zona Franca é bem restrito e só aplicável ao que existe em Manaus.

Entre os interessados do mundo real, contudo, este debate é sobre o “sexo dos anjos”, pois pouco ou quase nada ajuda na resolução de problemas verdadeiros que travam o modelo de negócios local.

Os representantes das empresas pensam que o debate neste momento poderia ser outro e com muito mais profundidade. Um dos pontos citados diz respeito à desburocratização dos processos e as formas de tornar a autarquia mais eficiente. Liberar recursos contingenciados também seria algo a ser feito imediatamente, mas estes debates são feitos apenas lateralmente e não chegam a bom termo. Enquanto isso, como mostrou A CRÍTICA ontem, as empresas sofrem com a falta de logística para tirar o Estado da crise vendendo mais nos seus mercados consumidores.