Domingo, 28 de Fevereiro de 2021
Editorial

Silêncio negacionista


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16/01/2021 às 08:30

O Estado do Amazonas, principalmente a capital Manaus, segue sofrendo os efeitos mais duros da pandemia do novo coronavírus, o que tem motivado a solidariedade de muitos, pessoas físicas e jurídicas que se mobilizam em todo o País para ajudar de alguma forma. Mas, em meio ao caos, há também o silêncio constrangedor de pessoas e instituições que colaboraram diretamente para o atual quadro de desespero. Muitos que, nos stories das redes sociais, agora pedem orações por Manaus, há poucas semanas estavam comemorando o recuo das medidas mais duras que incluíam o fechamento do comércio não essencial, um movimento engrossado pela participação de instituições diversas.

Entre elas estava a Fundação PanAmazônia, que chegou a pedir na Justiça a anulação de uma liminar que mantinha o lockdown no Estado por 15 dias. Em seu pedido, a associação classificou o endurecimento das restrições ao comércio como uma medida “contraproducente” e com potencial para “causar prejuízo aos empresários e trabalhadores que dependem do comércio e da prestação de serviços”. Afirmou ainda que a decisão “tira da população o direito ao trabalho e à livre iniciativa e, em última instância, viola a dignidade da pessoa humana”. As medidas mais duras de então foram flexibilizadas em face da pressão de manifestações promovidas por lojistas, com direito a queima de pneus e interdição de vias públicas. Houve comemorações nas redes sociais. “O povo venceu”, diziam alguns. Mas agora, está claro que quem perdeu foi o Amazonas. Quem tomou parte naquilo deveria se manifestar agora, admitir seu equívoco e tomar atitudes concretas no enfrentamento da pandemia.

Porém, o momento não é de apontar culpados, mas de unir esforços no momento mais obscuro da história do Estado. O governo federal precisa agir. Não adianta dizer que “fez sua parte” em tom de quem lava as mãos. É um absurdo que o Supremo Tribunal Federal (STF) tenha que estabelecer prazo para que o Ministério da Saúde anuncie seu plano de contingência para socorrer o Estado. Chegamos ao limite. Chega de negacionismo e politicagem no enfrentamento da crise. A agonia do Amazonas é um alerta para todo o País e resultado da forma como a pandemia tem sido tratada desde o início.


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