Publicidade
Editorial

Silêncio preocupante

11/02/2017 às 13:45 - Atualizado em 11/02/2017 às 20:06
Show michel

A equipe do presidente Michel Temer (PMDB) monitora as redes sociais de parlamentares federais em busca de sinais de “racha” no planos para aprovar, a toque de caixa, a Reforma da Previdência. O silêncio dos parlamentares, detectado pelo trabalho de inteligência da Presidência, não deveria deixar só o presidente de orelha em pé.

Eleitores de todo o País precisam começar a cobrar de seus representantes na Câmara e no Senado que se posicionem sobre o tema, que terá reflexos imediatos nas vidas de milhões de brasileiros. Afinal, que Reforma é esssa?  É preciso que o debate vá muito além do mero “sou contra” X “sou a favor”. Esta é uma mudança que precisa estar acima do FlaXFlu que se transformou a política do País nos últimos tempos, quando mais importante do que o projeto em si é quem o chancela. A democracia madura exige que seus líderes enxerguem além de pessoas e partidos.

Deputados e senadores têm de debruçar-se sobre ideias. Quando fazem diferente estão desperdiçando o poder a eles delegado. E, neste debate específico, esse escrutínio sobre as ideias precisa ser feito com muita cautela pois é o futuro – e muitas vezes os sonhos – das pessoas que estão em jogo. A crise da Previdência é centenária e precisa ser enfrentada, mas não de forma açodada. O rombo na Previdência  já tirava o sono dos mandatários da Nação desda a época do império.

Debate de 1883, numa reunião entre dom Pedro II e os integrantes do Conselho de Estado, revela que o senador visconde de Muritiba (BA) defendia que “é de toda evidência” que o encolhimento de aposentadorias e pensões “não tira direitos adquiridos”. E o senador Dantas (BA) reclama que, apesar de a falência se prenunciar há anos, ninguém jamais foi corajoso o suficiente para arcar com o ônus de reformar o sistema. Michel Temer, que em dezembro apresentou ao Congresso uma proposta que endurece as regras da Previdência Social, pode ser esse corajoso histórico. Mas o debate é essencial para que essa geração de políticos entre para a história do Brasil como aquela que solucionou o que parecia sem solução - e não aquela que cortou direitos essenciais sem pesar as consequências em balança de precisão científica.