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Editorial

Sob a bandeira da insegurança

16/11/2016 às 22:00
Show onibus assalto

Os assaltos em série em ônibus mostram de forma mais bruta o dilema a que estão submetidos cotidianamente os moradores de Manaus. Ocorre uma explosão de ataques criminosos muito dos quais ficam sem registro. No ônibus, a maioria – motorista, cobrador, passageiros – é refém diária sem saber como livrar-se das investidas dos assaltantes. Muitos estão pagando com a vida por esse estado de descontrole na cidade.

O clima instaurado é de terror. Passageiros tentam identificar traços e atitudes que possam denunciar os assaltantes e, nessa lógica, desconfiam uns dos outros, em permanente instabilidade. Qualquer coisa pode acontecer inclusive a da tomada antecipada de decisão para punir suspeitos que poderão não ser criminosos, mas sem tempo de averiguação antes de punições ocorrem.

Nos pequenos comércios de bairro quer da Zona Central quer das zonas mais distantes, os assaltos se multiplicam em diferentes horários; nos pontos de ônibus; no ir e vir dos trabalhadores, dos estudantes, enfim dos indivíduos. As pessoas estão vivendo processos de alucinação sem que esse drama tenha motivado até agora tomada de decisão por parte das autoridades do Estado e do Município.

Parece claro que não é mais possível à Secretaria de Estado de Segurança Pública cuidar sozinha dessa situação. Os problemas são mais complexos, envolvem todos os setores e foram acumulados ao longo dos anos. Omissão, impunidade, alianças perigosas, precarização do sistema de segurança pública e deterioração das polícias militar e civil atuaram para criar um quadro favorável à ação dos criminosos. Falta eficiência na forma de controle enquanto alguns aparatos são politicamente utilizados para mandar recados, desestabilizar e favorecer determinados grupos.

Somente no item transporte público, são dez assaltos por dia na cidade. Foram 2.767 assaltos nos dez meses deste ano de acordo com registros do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Equivale, se utilizado o protocolo médico, há uma epidemia de assaltos.  E não se consegue uma ação que tenha resposta positiva: os assaltos prosseguem, um atrás do outros, as vítimas são números para mostrar a gravidade e não a tomada de posição. Quando vistos os outros ataques,  sensação  é de insegurança total. Por isso, as intervenções têm que ser pensadas com a participação de outras instituições.