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Editorial

Sob a sensação do abandono

10/03/2018 às 14:00 - Atualizado em 10/03/2018 às 14:03
Show show flores

A falta de guarita em inúmeros bairros de Manaus é mais um dado da composição de abandono em diversas áreas da cidade. As guaritas aparecem como esforço para reduzir a sensação de insegurança nas comunidades com um mínimo de controle sobre entrada e saída de pessoas e de veículos.

Não é solução ideal. Atua como paliativo em meio ao pavor espalhado nas ruas e nos bairros. A destruição desse meio de controle, como ocorreu no bairro Flores, Zona Centro-Sul de Manaus, e noutras comunidades reacende o medo dos moradores que se sentem mais desprotegidos diante dos constantes ataques de grupos de assaltantes.

A composição de ações combinadas entre o executivo estadual e municipal poderia minimizar a sensação que as pessoas alimentam de abandono e de alvos fáceis à violência pública. Lamentavelmente, as ações são descontínuas e em ritmo de outros interesses, eleitorais, e descoladas uma das outras. Na área do Japiim I, II, Comunidade 2000, Japiinlândia, a reclamação é a mesma: moradores se sentem cada vez mais vulneráveis aos ataques de assaltantes em carros, motocicletas, a pé, e veem crescer a destruição da infraestrutura desses lugares.

Uma operação de limpeza em trecho do Igarapé do 40, como ora ocorre, é percebida por parte dessas famílias como oportunidade de atuação mais coletiva dos poderes visando melhoria nas condições de vida dos moradores daquela região. Esperam outros profissionais da área de saúde, de educação e serviço social pública atuando conjuntamente com a equipe de limpeza para reforçar a importância da limpeza e da manutenção do igarapé revitalizado pelo Programa Prosamim. Repassar informações transparentes, convocar parceria com os comunitários, indicar os valores gastos para limpar e os valores de impostos pagos pelos contribuintes que são aplicados nesses tipos de serviços são parte de uma ação pedagógica que podem oferecer resultados mais positivos.

Entretanto, o que ocorre é a retirado do lixo para que logo em seguida mais lixo seja despejado na área e os problemas permaneçam como estão há décadas. A insegurança ao nível ora alcançado também é parte e consequência das posturas dos gestores públicos, dos legisladores e dos que devem ser fiscais da Justiça. Há um entendimento, perigoso, de que para ter segurança cada um deve fazer funcionar a sua justiça particular com o arsenal que puder reunir e manejar.