Quinta-feira, 22 de Outubro de 2020
Editorial

Sob o lema do abandono e da extorsão


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18/10/2020 às 01:23

Os serviços públicos, alterados pela pandemia da Covid-19, são um problema a mais para a maioria da população, os pobres e mais carentes, que necessitam de respostas mais rápidas e esclarecedoras à situação que enfrentam. Aqueles considerados básicos (eletricidade, educação, cuidado com a saúde, transporte, proteção ambiental, acesso à água em condições de consumo humano, entre outros) não foram adequadamente preparados para lidar com os protocolos de mudança de quarentena, isolamento e distanciamento social ainda em vigor.

Obter respostas sobre o aumento no valor da conta de luz, se era difícil antes da pandemia, ficou mais complicado com ela. O atendimento virtual exige paciência, disponibilidade tempo para aguar na fila eletrônica, algum nível de compressão da linguagem adotada pelo sistema e a existência de equipamentos que permitam conectar o atendimento. É com esse nível de dificuldade que milhares de amazonenses lidam e sentem-se abandonados diante da aparente política extraoficial de reajuste de preços na maioria dos serviços públicos básicos.

Moradores de localidades que integram a Região Metropolitana de Manaus relatam o desalento e o desespero com problemas causados pela constante interrupção no fornecimento de energia elétrica e o preço da conta mantido elevado. Não conseguem saber os motivos da ‘falta de luz’ e não há um setor governamental que os inclua como cidadãos que merecem respostas e atenção. Microempreendedores que atuam principalmente nas estradas com seus boxes e em pequenos sítios, ramais, têm lidado com perdas de produtos por conta dessa realidade, o que representa conviver com a retirada da principal fonte de renda que dispõem.

Essa é uma população invisível para os gestores públicos, suas dores não contam embora sejam procurados em campanhas eleitorais, ouçam promessas de candidatos e, depois, ignorados. A atenção estratégica a essas centenas de famílias poderia minimizar uma série de problemas que, juntos, representam um peso robusto à administração municipal e estadual. Comunidades rurais no Amazonas, nos arredores de Manaus, não pedem muito, suas pautas de reivindicações são básicas e, quando atendidas, sentem-se animadas em permanecer nesses locais ondem cumprem papeis socioeconômico, político e cultural importantes. Administradores mais atentos sabem disso, pois, existem estudos variados mostrando o efeito saudável da permanência desses núcleos nas áreas onde moram e, por vezes, trabalham. Garantir a eles serviços públicos básicos que funcionem regularmente e com qualidade é uma boa forma de enfrentar a violência e promover desenvolvimento.      


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