Publicidade
Editorial

Sob o limite do estado de truculência

30/03/2018 às 21:15 - Atualizado em 30/03/2018 às 21:15
Show show cid

Milhares de pessoas, em Manaus e no mundo, caminham com pedidos comuns: justiça, fim da violência, construção da paz. Os pedidos dos romeiros na sexta-feira constituem uma prece no mundo onde a prepotência, arrogância, ganância de poder avançam e ameaçam reconstruir governos fascistas contra os quais multidões se insurgiram e lutaram; outros muitos perderam a vida em nome de uma nova civilização na Terra dotada da capacidade parar o ódio, a destruição, promover alianças entre os povos e promover a igualdade, o respeito.

A agonia brasileira, tomada pela perda da noção de limite dos atos, por violências generalizadas e demonstrações de ódio como meio de legitimar retrocessos, a agonia das populações fragilizadas e atacadas no mundo representam a outra crucificação. São mulheres, jovens, crianças sob ameaças permanentes e muitas delas consumadas nas balas disparadas entre as guerras que fazem de inocentes os alvos; são países submetidos as sanções dos mais poderosos e são governantes poderosos determinando como o mundo deve ser, quem pode viver e quem deve morrer.

As travessias nos mares e nas estradas em busca da vida encontram muros de todas as ordens, nas ondas gigantes que viram barcos, nas barreiras de concreto e de gente que impedem o acesso, na discriminação e racismo que fecham portas e aniquilam os vulneráveis, violentando-os mais uma vez.

A caminhada dessas multidões é a expressão da resistência ao retrocesso e da esperança na superação desse momento de dificuldade enorme. É a aposta no posicionamento do amor como instrumento que age diante daqueles que munidos de algum poder o exercitam para promover a intolerância e o desrespeito e se beneficiarem a margem da lei, do legal, do legitimo, do justo. Nas ruas, essas multidões reafirmam a fé na vitória do amor sobre a truculência, da inteligência que promove transformações do que faz mal em boas práticas do viver, da criatividade em favor da solidariedade, da prática fraterna para superar as violências.

O mundo que viveu o horror de duas grandes guerras está envolto em guerras diversas na atualidade e são os romeiros que se colocam mais uma vez nas estradas, nas ruelas, nas praças para dizer basta! O poder de matar e de intimidar não pode triunfar sobre o sofrimento, medo e a angústia de tantos.