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Editorial

Sobre monstros e crianças

14/06/2016 às 23:14
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Causa extrema indignação atos violentos de criminosos contra crianças e adolescentes em Manaus, uma onda que, lamentavelmente, parece tomar conta da cidade. A barbaridade dos crimes nos faz pensar em revisão do atual Código Penal, que não contempla a prisão perpétua, por exemplo. Esta, talvez, fosse uma punição mais adequada à gravidade de crimes dessa natureza. Considerando que qualquer estupro está no rol de crimes hediondos, o que dizer daquele praticado contra crianças, inclusive bebês, como os que vêm ocorrido em Manaus nos últimos dias?

Não que punições mais duras possam aliviar o sofrimento das famílias enlutadas e revoltadas com a perda de entes queridos de forma tão cruel. 

Também é pertinente a reflexão de que falta proteção às crianças. A família é a primeira responsável por garantir essa segurança. O que fazer, então, diante do fato de que boa parte das agressões ocorre em ambiente familiar, perpetrado pelos próprios parentes? Como prevenir o crime contra crianças dentro do próprio lar? 

É aterrador pensar que neste momento, há crianças à mercê de agressores dentro da própria casa, aproveitando-se do medo e da inocência dos pequenos para continuar agindo impunemente. 

É lamentável que a única atitude preventiva contra os monstros à solta seja a vigilância permanente. É uma pena que, em Manaus, pais e responsáveis tenham que viver sobressaltados, atentos a cada movimento das crianças que, infelizmente, não estão seguras nem mesmo em casa. 

Neste momento obscuro, é preciso união de todos. Todos somos responsáveis pela segurança dos menores, principalmente das crianças, em situação mais vulnerável. Por trás da maioria dos casos de abusos, há a negligência por parte dos pais, que não tomam os cuidados e atenção necessários ao bem estar das crianças. A população não pode se calar. Casos de negligência devem ser denunciados às autoridades para que os pais sejam chamados à responsabilidade. 

E se for constatado que os responsáveis não apresentam condições necessárias para assegurar a segurança dos menores, que o Estado haja e tome as providências cabíveis. É preciso uma resposta concisa e necessária para manter os monstros longe das crianças.

Foto: Evandro Seixas