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Editorial

Sobre o futuro da ZFM

20/08/2017 às 21:02
Show zfm

O modelo Zona Franca de Manaus vem sendo desconfigurado há anos. A salvaguarda constitucional não tem sido suficiente para garantir estabilidade tratada e definida em outros campos definidos pela economia internacional. Chama atenção o fato de os representantes do Amazonas no Congresso Nacional e os governos do Estado e da capital Manaus não se posicionarem de forma mais firme na defesa das garantias da ZFM.  Os impasses do governo em nível nacional e as eleições suplementares no Amazonas criaram as condições para a formulação de propostas que atingem as características de funcionamento do Polo Industrial de Manaus (PIM) e ameaçam ampliar a crise no Estado com o aumento do desemprego.

As especificidades da ZFM garantiram até agora que grupos industriais orientassem a implantação de plantas no PIM. Sem essas peculiaridades, a busca por mercados mais próximos e com proximidades das vantagens tributárias, os empresários decidirão investir em áreas onde naturalmente terão mais vantagens. O que está agora sendo configurado é a possibilidade de instalação de zonas industriais semelhantes à ZFM em outros Estados brasileiros, o que retirará do Amazonas os instrumentos atrativos.

A outra face dessa realidade vem sendo exposta há décadas quando estudiosos alertavam para a necessidade de o Amazonas eleger outros mecanismos de desenvolvimentos evitando a dependência total ao modelo da ZFM. A proposta industrial da Zona Franca está cada vez mais refém do humor da economia mundial que quanto mais globalizada mais sensível se torna. Hoje, o Estado depende do bom desempenho do PIM para conseguir manter-se de pé e a cidade de Manaus, com 3 milhões de habitantes, tem nesse polo a única plataforma para movimentar a economia, gerar empregos e renda, movimentar setor de serviços.

O desmantelamento da base representativa do Amazonas no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa e dos representantes governamentais providenciaram o outro dado alimentador do descaso em relação à ZFM e avanços de decisões que atingem o PIM. É no mínimo estranho que tenha sido mantido o silêncio sobre os atos de ataque à Zona Franca de Manaus. O assunto veio à cena pública ao ser inserido no horário eleitoral gratuito e não por decisão conjunta dos poderes do Amazonas que têm o dever de zelar pelos interesses estaduais o que implica defende-los com determinação.