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Editorial

Sociedade adoecida

18/06/2016 às 16:30 - Atualizado em 18/06/2016 às 17:33
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A violência tem ganhado espaço cada vez maior em nossa sociedade e, como uma chaga biológica, se alimenta e retroalimenta de maneira rápida e contundente.

Agora, por exemplo, está em voga o debate sobre os crimes sexuais, sobretudo quando cometido contra crianças e adolescentes, como no caso da jovem de 16 anos estuprada por até 30 homens após baile funk num morro do Rio de Janeiro. Em Manaus, a sociedade ficou estarrecida na semana que passou com dois casos igualmente brutais. Primeiro um bebe foi mordido e abusado pelo namorado da mãe, tendo recebido mordidas até no pênis, que ficou em  risco de perder. Logo no dia seguinte, um vizinho estuprou e matou uma jovem de sete anos, tendo na sequencia enterrado o corpo num quintal. A desfaçatez do criminoso foi tanta que até ajudou a família a procurar a menina pelo bairro.

Pego em flagrante, confessou o crime e num rasgo de sinceridade se autoclassificou de “monstro” e pediu que fosse condenado a prisão perpétua ou fosse morto.

Eis ai o debate que tem florescido nos últimos dias. Qual a pena adequada para os que cometem este tipo de crime hediondo?

Será que o Brasil está preparado para condenar um criminoso à prisão perpétua? Temos estrutura para isso? Hoje a pena máxima que uma pessoa cumpre no sistema prisional é de 30 anos. Não é tempo suficiente? E a pena de morte? Estamos, nós a sociedade e o sistema policial e jurídico nacional, prontos para levar um criminoso a cadeia elétrica ou a injeção fatal? A realidade nacional mostra que ainda não estamos, pois basta olhar o perfil dos presos para ver que nas nossas cadeias só temos o tal triplo “P” (pretos, prostitutas e pobres). Só prendemos e condenamos aqueles que pouco ou nenhuma condição têm para  defender.

Talvez mais premente seja entender e refletir sobre o olhar lançado na questão pelo arcebispo metropolitano de Manaus, dom Sérgio Castriani, para quem “vivemos em um mundo em que os instintos estão erotizados e a pornografia é de fácil acesso, no cinema nas novelas, na televisão. Os instintos sexuais são  muito fortes”.  Parece que antes de resolver a questão da punição é necessário entender e tratar as causas que levam 30 pessoas, num mesmo momento, no mesmo local, a  chegarem a conclusão de que podem fazer uso do corpo de uma jovem por meio da agressão.