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Editorial

Sofrimento sem fim

30/05/2018 às 21:31
Show rodovi rios

Mais uma vez é a população a principal prejudicada pela falta de entendimento entre categorias profissionais e poder público. Com a greve dos caminhoneiros ainda surtindo efeitos negativos no abastecimento de Manaus, assim como em todo o País, usuários do sistema de transporte urbano da capital amazonense ainda precisam se virar com a falta de ônibus nas ruas causada pela greve dos rodoviários. Ontem, o dia terminou com mais de 70% da frota de ônibus paralisada.

Aos usuários restam as longas esperas nas paradas e terminais, aperto, desconforto e insegurança nos ônibus lotados. Usar o sistema de transporte urbano da capital já é um suplício em condições normais, o que se acentua com a redução da frota.

Prefeitura e grevistas precisam chegar a uma solução para a controvérsia com rapidez. Não é justo que a população tenha que pagar por mais essa. Vale ressaltar que as consequências não se restringem aos usuários; são trabalhadores que deixam de chegar a seus empregos, consumidores que deixam de comprar no comércio, causando um efeito em cadeia na economia toda, já combalida pelos efeitos da crise econômica que parece não ter fim, e pelos danos da greve dos caminhoneiros.

É preciso destacar também o pouco caso que os rodoviários fazem da Justiça do Trabalho, que declarou a ilegalidade da movimento, mas teve a ordem ignorada pelo sindicato da categoria. E não foi a primeira vez que isso aconteceu: em janeiro do ano passado - quando a categoria também realizou greve - a Justiça do Trabalho, acatando pedido da Prefeitura, ordenou a circulação de 100% da frota. De nada adiantou. A ordem não surtiu nenhum efeito em claro desrespeito ao Judiciário. Ficou por isso mesmo e, pelo jeito, o mesmo acontecerá desta vez.

O sistema de transporte como um todo precisa ser revisto. A tarifa cobrada dos usuários é inaceitável quando se considera a péssima qualidade do serviço e dos veículos. O povo de Manaus não merece esse sufoco diário, mas convive há anos com greve ou ameaças de greve dos rodoviários, que são trabalhadores apenas exercendo seu direito de lutar por uma remuneração digna. Cabe à Prefeitura de Manaus desfazer esse imbróglio e reestruturar o sistema. Enquanto a controvérsia não chega ao fim, os usuários se preparam para mais um dia de sacrifício.