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Editorial

Solidariedade faz toda a diferença

07/02/2017 às 22:16
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Crise tem sido palavra constantemente ouvida no Brasil nos últimos anos. Os efeitos dela estão muito presentes no dia a dia de todas as pessoas, com milhões de desempregados, fechamento de empresas e queda nos indicadores econômicos a ponto de alguns estados estarem à beira da falência. Mas nossos problemas econômicos e políticos não se comparam com o que está ocorrendo na Venezuela, onde o caos instalou-se e se enraizou formando um cenário sem expectativa de melhora. A situação por lá é tão grave que os primeiros refugiados começam a chegar a Manaus.

Impossível não se comover com a situação dos indígenas da etnia Warao que buscam na capital amazonense uma chance de sobreviver, fugindo da fome que assola seu país natal, com crianças expostas à condição extrema de ter que mendigar por comida e dormir sob o teto da rodoviária. Se a crise no país vizinho é severa para os venezuelanos, é pior ainda para os mais pobres e marginalizados, como é o caso dos indígenas. 

Felizmente, existe solidariedade. Merecem todo o apoio iniciativas como a do movimento “Mais amor, por favor”, que tem apoiado os migrantes venezuelanos com doação de alimentos, roupas e remédios. Alguém tem que ajudá-los já que nem o consulado do país vizinho tem se sensibilizado com a situação deles.

O panorama  político-econômico da Venezuela sempre foi instável, muito dependente do petróleo, cuja queda nos preços fragilizou a economia e contribuiu para a inflação de 160%, uma das maiores do mundo. Incapaz de manter os programas de subsídios que marcaram o populismo de Hugo Chávez, o presidente Nicolás Maduro vê sua base de sustentação ruir e convive com o risco de ter seu mandato interrompido. Com a indefinição no cenário político, a Venezuela entrou em convulsão, com explosão de violência, saques, falta de alimentos básicos e remédios.

Isso afeta o Brasil e especialmente o Estado do Amazonas, que precisa se preparar para um movimento migratório que já começou, a exemplo do que se viu logo após o terremoto que destruiu o Haiti em 2010. Vale lembrar que, à época, não faltaram manifestações de preconceito contra os migrantes, o que, infelizmente, pode se repetir em relação aos venezuelanos. vamos precisar de mais iniciativas como o movimento “Mais amor, por favor”.