Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
Editorial

SOS Encontro das Águas: a luta contínua


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14/11/2020 às 09:01

Há dez anos, o Instituto do Patrimônio Histórico, Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu o Encontro das Águas como patrimônio cultural, paisagístico, arqueológico e etnográfico nacional. O ato é fruto, de um lado, da luta sem tréguas do movimento SOS Encontro das Águas, uma das mais significativas mobilizações de inúmeros segmentos da sociedade civil do Amazonas e, de outro, das análises que são exigidas no cumprimento do protocolo para efeito de atos dessa natureza.

No dia 11 de novembro, data do tombamento em 2010, algumas ações realizadas em Manaus lembraram o percurso das mobilizações para alcançar a condição de patrimônio e, amparado por leis, o Encontro das Águas, seja o que deve para o Amazonas, a Amazônia e o mundo: patrimônio das culturas, das paisagens, da arqueologia e da etnografia do Brasil, dos amazônidas.

Pertencer a um lugar como o Encontro das Águas deveria ser, em si, motivação para orgulho, alegria, defesa da preservação e conservação desse espaço. Mobilizar-se em defesa do Encontro das Águas, como patrimônio, bem público, e não como mercadoria e promoção de negócios privados é a saída.

De acordo com informações do coletivo SOS Encontro das Águas, grupos empresariais de enorme poder político-econômico atuam junto aos três poderes para assegurarem a construção de um porto cargueiro de grande porte naquela região. Tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) uma Ação Civil originária contra à União e o IPHAN e que pede a anulação do tombamento em favor das empresas.

A pressão pesada pela privatização do espaço continua. No âmbito local obteve adesão, por exemplo, para a construção do terminal portuário, embora, o caráter comprometedor das autorizações possa vir a ser questionado por suspeição. A questão central é questionar as motivações dos grupos empresariais que estabeleceram megaprojetos na região do Encontro das Águas, em área do município de Manaus, e situar o tombamento dentro de outra balança que não seja regida unicamente pelo pêndulo econômico para o qual outros elementos não são considerados com os valores que têm. A confirmação o tombamento pode encerrar uma batalha de dez anos e por rumo a outras possibilidades no Encontro das Águas nesse trecho de Manaus. Todos os elementos que dele fazem parte constituem-se em elevado potencial turístico singular no mundo, característica mobilizadora da economia criativa no Amazonas e na capital do Estado.


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