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Editorial

STF e a 'inovação' necessária

07/05/2016 às 00:24
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O afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara dos Deputados será lembrado nos livros de história como um marco, o dia em que o Poder Judiciário precisou inovar, interferindo diretamente no comando de outro poder da República. Um movimento arriscado, mas, sem dúvida, necessário diante da situação absurda que havia se instalado na Casa. O próprio ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, reconhece que não há previsão constitucional para a medida drástica, porém necessária, tomada pelo colegiado na última quinta-feira. Os motivos que levaram ao afastamento do deputado estão relacionados à própria conduta de Cunha ao interferir no andamento do processo que corre contra ele no Supremo, mas os efeitos da medida vão muito além disso. Cunha estava, deliberadamente, imobilizando a Câmara - e, consequentemente, todo o Legislativo - em função de seus próprios objetivos pessoais. Um exemplo é a meta fiscal do País, que precisa ser revista com urgência sob pena de impedir que o governo consiga pagar despesas básicas como as contas de água e energia. A atuação do parlamentar colocava a administração pública da nação em risco. Afastá-lo era indispensável, mas a própria Câmara dificilmente o faria, em face da enorme habilidade dele em manipular seus pares pelos mais diversos meios. Esse fato também revela um detalhe preocupante: ignorando os riscos que as atitudes de Cunha representavam para o País, a maioria dos parlamentares assegurou a permanência do parlamentar no comanda da Câmara, patrocinou o engessamento do processo de cassação no Conselho de Ética da Casa e já estava disposta a garantir a absolvição. Ficou muito clara a qualidade dos nossos representantes em Brasília. Isso sem falar que bastou Cunha ser afastado para que o antigo apoio ferrenho fosse deixado de lado. Cunha, neste momento, está experimentando o lado mais pragmático da política, relegado a um limbo do qual dificilmente conseguirá sair. O afastamento de Cunha causou um efeito positivo imediato: teve o condão de unir apoiadores e críticos do governo em torno de um tema. As redes sociais foram tomadas por manifestações aprovação à saída do deputado e pode ser um passo importante para recolocar o País nos trilhos.