Publicidade
Editorial

Sudam é mais valorizada como bandeira de campanha do que para desenvolvimento

11/03/2018 às 20:52 - Atualizado em 11/03/2018 às 20:53
Show show 784

A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), assim como a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), é mais valorizada pela classe política como potencial bandeira de campanha do que como indutor do desenvolvimento na região mais desprovida de infraestrutura do País. Apenas isso justifica o fato de que os debates em torno da prorrogação dos incentivos administrados pela autarquia foram deixados para os últimos meses antes do fim de sua vigência, que ocorrerá em 31 de dezembro deste ano.

Por que não adiantaram os debates e aproveitaram para aprofundar as discussões a respeito da missão e resultados da Sudam, bem como de sua equivalente nordestina, a Sudene? Porque com isso, os pré-candidatos perderiam um valioso tema para discursos inflamados nos palanques: a defesa da Sudam. Não há dúvida que os incentivos serão prorrogados ainda neste ano, provavelmente antes das eleições, com direito a muitos “heróis” e defensores dos milhares de empregos gerados pelas empresas incentivadas.

Mas o atraso nas discussões em nome de comodidades políticas tem um preço alto. Aos olhos do mercado, tudo pode acontecer, inclusive nada. Enquanto os incentivos não estiverem prorrogados e a lei publicada no Diário Oficial da União, não vale a pena apostar nesses incentivos. São investimentos preciosos que deixarão de ser realizados no Norte e no Nordeste por causa da proximidade do fim das vantagens.

É uma pena que a Sudam não seja vista com a seriedade que merece. Para as legendas partidárias dominantes no Brasil, é apenas mais uma autarquia federal para agregar força política por meio da indicação de gestores. Se pelo menos não for usada diretamente nos engrenagens da corrupção com já aconteceu há pouco mais de uma década, já será alguma coisa. Só para lembrar: criada em 1966, a Sudam foi extinta em 2001, no governo Fernando Henrique Cardoso, sob uma chuva de denúncias sobre desvio de verbas públicas. O caso nunca foi devidamente apurado, e os envolvidos – entre eles alguns deputados e senadores da região – nunca foram punidos. A região e seus habitantes foram os únicos penalizados.

Recriada em 2003, a Sudam oferece incentivos fiscais importantes e pode desenvolver papel relevante na aplicação de políticas públicas desenvolvimentistas no Norte. Só falta vontade política.