Segunda-feira, 28 de Setembro de 2020
Editorial

Supermercados e a pressão por mais reajuste


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10/09/2020 às 08:38

O consumidor brasileiro está no meio de uma medição de forças antagônicas e até agora é o principal prejudicado. De um lado, os empresários do setor supermercadista e, do outro, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), em batalha pelo preço principalmente dos itens da cesta básica.  Os representantes dos supermercados querem reajustar os preços e alegam que lidam com o aumento de 20% no preço do fornecedor, enquanto os fiscais do Procon chamam atenção os elevados índices de reajuste dos produtos nesses estabelecimentos.

Diante das prateleiras dos supermercados, o que o consumidor constata, há dois meses, é a subida do preço dos alimentos, de produtos de limpeza, hortifrutigranjeiros. No período mais agudo da pandemia do novo coronavirus, pelo menos na cidade de Manaus, os consumidores tiveram que enfrentar a alta do preço na aquisição de produtos básicos e, nas farmácias, a mesma prática. 

A pressão feita pelos dirigentes de supermercados junto ao Governo Federal ocorre em momento profundamente inoportuno e o chamado presidencial para que os empresários sejam patriotas soa como um tipo de pacto já feito em outras épocas. A ideia, no passado, era criar a sensação de perda maior nos negócios e justificar as medidas de socorro do governo que, por sinal, ocorreram generosamente, e não corresponderam a um equilíbrio de preços para o consumidor final. Nesse tipo de atuação, o patriotismo está do lado de fora e não costuma ser convidado a entrar e participar, é o lucro que condiciona a postura.

O que é urgente nesse processo de medição de forças é salvaguardar os interesses do consumidor. A maior parcela dos consumidores encontra-se em situação de dificuldades financeiras, com mais pessoas desempregadas dentro de casa e maior consumo de alimentos e de outros gêneros de produtos. Nessa realidade, conhecida pelos empresários e pelo governo federal, a ação deveria ser mais ágil e cuidadosa para ter em mãos os números reais da condição dos supermercados, da população brasileira e, desta, nos Estados e nos municípios.  A tomada mais sensata de decisão pede que os cenários sejam feitos responsavelmente e sejam identificados os segmentos mais atingidos e mais vulneráveis.

O reajuste nos preços dos produtos alimentícios está fora de controle.


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