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Editorial

Suplício da falta d'água

08/06/2016 às 21:49 - Atualizado em 08/06/2016 às 22:22
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A despeito dos esforços do poder público, os problemas de abastecimento de água na cidade, principalmente na periferia, seguem entre os principais dramas da população. É preciso reconhecer que muito já foi feito com a ampliação do sistema de captação e distribuição, porém, medidas mais objetivas precisam ser tomadas para acabar com o sofrimento de centenas de famílias que precisam “se virar” há mais de duas semanas para conseguir um abastecimento mínimo.  

Impossível não se indignar diante do fato de que Manaus enfrenta esse tipo de problema apesar de estar localizada na maior bacia hidrográfica do mundo. Em nenhum outro lugar do planeta há tanta disponibilidade de água doce. O que falta para garantir abastecimento adequado em todas as zonas da cidade? O fato é que a questão da água em Manaus é resultado de equívocos administrativos que se acumularam por muitas décadas, somados ao crescimento desordenado da cidade. Sem abastecimento regular, o acesso à água foi sendo suprido por poços artesianos particulares, à margem do serviço público. Mudar esse cenário não é tarefa das mais simples. Exige investimentos por parte da administração pública e conscientização da população.

Nos últimos anos, esse trabalho tem sido feito, mas quando o abastecimento falha como tem ocorrido na Zona Leste por mais de 15 dias, a indignação dos consumidores é perfeitamente compreensível. Moradores de bairros da Zona Leste que estão há mais de duas semanas sem água prometeram fechar as principais ruas da região se o problema não for resolvido até este final desta semana. 

A mobilização popular já começou. Os moradores do bairro Armando Mendes fecharam a avenida Itacolomi, uma das mais movimentadas do bairro. A população da área relata que a falta de água nas torneiras é frequente desde novembro do ano passado, situação que se agravou nas últimas semanas a ponto de prejudicar o comércio da região. Eles dizem que é sorte ter dois dias consecutivos de água, enquanto passam semanas sem o abastecimento. A revolta só aumenta com a chegada das contas de água no final do mês. Os moradores pagam faturas com valores médios de R$ 400, e precisam desembolsar mais dinheiro para comprar água nos dias em que o serviço falta.

Foto: Euzivaldo Queiroz