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Editorial

Suplício do ‘Garajão’

26/04/2018 às 21:44 - Atualizado em 26/04/2018 às 22:01
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Inaugurado no final dos anos 80, com a promessa de solucionar de uma vez o problema da falta de estacionamento no Centro de Manaus, o edifício-garagem - popularmente conhecido como “garajão”, não foi a solução para o problema mas não deixa de ter um papel importante no trânsito do Centro. Dezenas de comerciantes usam a estrutura diariamente para guardar seus veículos, sem falar no público rotativo que aproveita as vagas disponíveis no prédio.

Em todos esses anos, o prédio sempre foi subutilizado. O edifício-garagem tem a capacidade de oferecer, em seus 14 andares, até 401 vagas de estacionamento. Mas apenas cinco andares são utilizados, com menos da metade desse número de vagas.

A interdição do garajão, anunciada ontem,  revela duas coisas. A primeira é que, mesmo sem poder ser utilizado em toda sua capacidade, o Centro de Manaus precisa do garajão. Sem o prédio, as ruas da região central ficarão ainda mais abarrotadas de carros, agravando o desafio que é estacionar por lá, principalmente nos horários de pico. 

A segunda é que - exatamente pela relevância que tem - o garajão tinha que contar com melhor atenção por parte do poder público. Os problemas do edifício que culminaram na necessidade de interdição são resultado direto de anos a fio sem qualquer tipo de manutenção no prédio. É consequência do descaso do poder público. A última reforma foi feita há dez anos e não corrigiu problemas que se agravaram nos últimos anos. Em 2010, a Prefeitura chegou a anunciar planos de revitalização da estrutura em face dos problemas que já eram evidentes. Mas nada aconteceu.

Algumas providências precisam ser tomadas. Uma delas é tratar com seriedade e celeridade a reforma do prédio. Esta é exatamente a principal preocupação dos usuários, que temem esperar um longo período pela conclusão das obras que, pelo menos por enquanto, não têm data para começar nem para terminar. Esse “filme” não é inédito. O garajão esteve fechado e sem utilidade por muitos anos, sendo reativado em 2005. Esse longo período de inatividade não pode se repetir novamente. Outra providência são medidas para minimizar a perda das vagas que o prédio oferece. Manaus precisa há muito tempo de um projeto inteligente para o Centro, e a plena utilização do garajão tem que fazer parte disso.