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Editorial

SUS em discussão

20/05/2016 às 21:29
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O seminário de participação popular realizado até ontem, pelo Conselho Municipal de Saúde de Manaus (CMS), é um contraponto à postura mais comum quando se trata do Sistema Único de Saúde (SUS). A presença da comunidade nos espaços de debate, de tomada de decisão e de conhecer os problemas e as vantagens do SUS tem sido relegada e, ao adotar tal conduta, o gestor e o CMS, se submisso, atuam para enfraquecer e agravar a situação do Sistema Único de Saúde.

O primeiro seminário, ocorrido na Zona Oeste, mostra que quando há vontade política é possível realizar e mobilizar os segmentos da sociedade. O SUS é um dos arranjos brasileiros com maior potencial de acertos na política pública de saúde, mas sofre as ingerências político-administrativas e descontinuidade do adequado uso dos recursos humanos, técnicos e financeiros. É mostrado naquilo em que funciona pior, na precariedade quer na falta de leitos nos hospitais públicos, na escassez de equipes médicas nos postos de saúde, na falta de medicamentos e numa série de descompromissos de vários níveis.

A cada vez que é deplorado o Sistema Único de Saúde aumenta as possibilidades de ingresso das corporações privadas de saúde para, até com o uso da verba pública ocupa esse espaço e, por vezes, apresentar problemas muito similares ao da versão pública. Numa economia capitalista, não há problema algum com os negócios privados, inclusive nas áreas de Saúde e de Educação. O que se torna problema é quando a parte pública é esmagada, desqualificada, para promover na aparente incapacidade de funcionar a iniciativa privada. Nessas duas áreas, o resultado é desastroso porque atenta contra os direitos de milhares de pessoas, no caso a garantia de acesso à saúde e à educação com qualidade boa.

Outro aspecto é que o seminário organizado pelo CMS ocorre no momento em que o governo brasileiro prepara propostas para alterar as formas de funcionamento do Sistema Único de Saúde. Considerando as linhas de defesa feitas na nova configuração do Governo Federal, é possível que a readequação do SUS seja traduzida pela limitação. Nesse processo, os usuários devem ficar atentos, ampliar a participação no conselho e aprofundar conhecimentos sobre o que é esse mecanismo.