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Editorial

Tantas culpas

06/06/2016 às 22:38
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Os especialistas em acidentes aéreos costumam dizer que a queda de um avião nunca tem um motivo apenas, pois é preciso muita coisa errada acontecer antes da máquina falhar catastroficamente e se esborrachar no chão. O mesmo raciocínio podemos usar agora nesta tragédia ocorrida na comunidade da Sharp, na Zona Leste, e deixou um saldo de duas pessoas - marido e mulher - mortos e várias outras feridas.

É certo que a concessionária tem por obrigação fazer a manutenção preventiva das suas redes de abastecimento de energia, conservar e, se for o caso, trocar periodicamente os fios que levam energia até a casa do cidadão. Pelo que dizem os sobreviventes houve uma falha nesta obrigação, posto que a empresa foi alertada várias vezes e chamada outras tantas para proceder a substituição do fio de alta tensão que se rompeu, domingo, quando a comunidade estava participando de um bingo na frente da casa das vítimas, dois migrantes vindos do Maranhão e há sete anos morando no local.

A empresa diz que uma perícia irá dizer o que aconteceu, mas garantiu que está amparando as vítimas com seu setor de serviço social.

Os comunitários não estão de todo isentos de culpa neste caso trágico, uma vez que a rede elétrica  estava sobrecarregada por ligações clandestinas (gatos), restos de papagaios de papel e linhas com cerol, uma combinação explosiva que deu contribuição significativa para a ruptura final do fio.

Neste sentido é mister lembrar que em várias faces da vida em sociedade em Manaus o cidadão deixa para o poder público responsabilidades que são dele ou que ele pode assumir no todo ou em parte. Um exemplo: as grades colocadas nos canteiros centrais das avenidas Djalma Batista e Darcy Vargas, que foram destruídas por aqueles pouco interessados em fazer a travessia segura nas passarelas existentes nas duas vias públicas. Ou seja, o cidadão se expõe aos riscos e, quando o problema acontece, posteriormente vai   cobrar a fatura do poder público.

Por fim, temos de lembrar as características da ocupação desta comunidade, fruto de invasão de terras e que portanto tudo ali é feito na base do improviso, inclusive a rede de energia, que muitas vezes passa a um ou dois metros da janela de uma casa, posto que normas técnicas não pode ser adotadas em arruamentos irregulares.