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Editorial

Tarifa de ônibus e 'caixa preta'

11/03/2017 às 18:33
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A semana ora iniciante apresenta uma possibilidade real de os usuários de transporte coletivo e a sociedade conseguirem ter mais informações sobre a composição da planilha definidora do preço da passagem de ônibus em Manaus. A abertura da ‘caixa preta’ como o assunto passou a ser tratado pela mídia será, se ocorrer mesmo, um passo importante para o debate enviesado travado a respeito do tema transporte público.

Algumas questões são oportunas nesse contexto: Por que no século XXI ainda funciona de forma primária o controle público sobre a definição da forma de operacionalização de setores fundamentais á vida das pessoas como o é o de transporte público? Por que  se tornou quase impossível esclarecer de que forma é definido o preço da passagem de ônibus? Por que não há mecanismo de monitoramento efetivo quanto à qualidade desse serviço na cidade?

A submissão do transporte coletivo a acordos políticos e partidários visando dividendos eleitorais é um dos aspectos a ser avaliado. O agravamento da precarização do serviço de transporte público em Manaus reflete o efeito perverso desse tipo de pacto. Passadas as eleições, conhecidos os resultados dos votos, desfeitas as alianças e a etapa de distribuição de cargos o que se repete é o discurso de que é preciso reajustar a tarifa para melhorar a frota de veículos, os salários dos trabalhadores e oferecer um transporte de qualidade. Gestores públicos batem no peito na tentativa de reforçar a cena de uma das mais velhas promessas não cumpridas.

Quem anda de ônibus nessa cidade sabe no bolso e no corpo o quanto paga alto para ser maltratado. O atual valor da passagem não corresponde ao anúncio de melhoria do serviço feito no ano passado. Configura-se prática de desrespeito e escárnio à população usuária. Não representa melhoria nas condições de trabalho e de salário dos trabalhadores rodoviários, uma categoria cada vez mais submetida cotidianamente a assaltos contínuos, agressões físicas, psicológicas e à morte. São profissionais com elevado índice de estresse e adoecimentos progressivos.

Falta responsabilidade do poder executivo municipal e, no conjunto, de todas as autoridades relacionadas a tal questão, no trato do tema. Não são ignoradas as dificuldades que o transporte público nas cidades maiores representa. Exatamente por conta desse aspecto grave é que o assunto não pode ser tratado da forma caótica como vem sendo em Manaus. Que a ‘caixa preta’ seja aberta e as informações dela colocadas à disposição da sociedade, dos passageiros e não mais a fechem.