Quarta-feira, 23 de Setembro de 2020
Editorial

Tarifas elevadas, sufoco familiar


show_show_FATURA-CONTA-DE-LUZ_82796907-7FA5-41D0-A013-1176D2F6CE9A.jpg
13/08/2020 às 08:38

Na segunda-feira e na terça-feira, a mídia mostrou as filas de brasileiros com um papel nas mãos. Era a conta de luz elétrica em valor que a maioria desses usuários, pobres, desempregados, subempregados, não consegue pagar. Ali, a multidão em agonia tentava buscar resposta sobre o porquê do reajuste em porcentual tão elevado.

São brasileiros já acossados pelo preço do gás de cozinha, dos remédios, da água, da passagem de ônibus e, agora, estrangulados pela decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) que tem como missão de realizar um trabalho com base em princípios e valores afinados com a expectativa da sociedade brasileira, de uma atuação equilibrada, transparente e comprometida com o interesse público. Neste caso, a avaliação do impacto sobre o aumento na tarifa de energia elétrica na vida de milhões de pessoas e de famílias não foi apresentada e, se feita, não há transparência, outro aspecto com o qual a agência está comprometida, sobre os dados coletados e analisados.

O preço da luz elétrica tem importância elevada para as famílias, cada medida tomada nesse setor repercute profundamente na vida individual e coletiva. Reajustar a tarifa nesse momento é um desrespeito e atitude administrativa irresponsável, reajustar em porcentual elevado torna-se ato de agressão aos usuários e de não observância do interesse público que se assemelha ao uso de uma expressão de compromisso firmado sem assumi-lo. Situação que necessita ser percebida e questionada. Afinal, quais são os interesses que a ANEEL neste momento protege?

Os parlamentares e Ministério Público podem entrar em cena e agir para questionar os procedimentos adotados pela Agência de Energia Elétrica em nome da defesa do cidadão. O reajuste de preço que ignorou a pandemia e a consequência dela continua em rápida escalada naquelas áreas mais demandadas pelo consumidor sem a devida reação dos órgãos de fiscalização para impedir a continuidade do processo.

No Amazonas, o volume de reajustes nesses segmentos representa uma bomba explodindo nas mãos dos chefes de famílias e das famílias como um todo. Como sustentar esses novos valores exatamente com o número de desempregados dentro do núcleo familiar em alta? Se há legalidade e legitimidade nesses reajustes, o que dizer da condição dessas pessoas atingidas por eles, elas não importam, não contam, não devem ser consideradas? Se essas pessoas importam faz-se urgente a apresentação de iniciativas que garantam seus direitos.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.